Nossa Senhora das Candeias
Domingo, 02 de fevereiro de 2025
Resumo do dia
A devoção a Nossa Senhora das Candeias — também invocada como Nossa Senhora da Purificação, da Candelária ou da Luz — mergulha suas raízes no coração do mistério da Encarnação e no cumprimento das antigas promessas de Israel. Esta festa celebra um evento bíblico ocorrido quarenta dias após o Natal: a Apresentação do Menino Jesus no Templo de Jerusalém e a Purificação Ritual de Maria, conforme prescrevia a Lei de Moisés.
O cenário é o Segundo Templo, onde o velho Simeão, um homem justo que esperava a consolação de Israel, toma o Menino nos braços e, sob a luz do Espírito Santo, proclama o Nunc Dimittis. Simeão define Jesus como a "Luz para iluminar as nações". É deste oráculo profético que nasce o simbolismo das "Candeias" (velas ou tochas): Maria é aquela que traz em seus braços a Luz do Mundo, a chama que não se apaga e que dissipa as trevas da ignorância e do pecado.
Historicamente, a devoção ganhou uma narrativa mística adicional no final do século XIV, nas Ilhas Canárias (Espanha). Segundo a tradição, dois pastores guanches (nativos pagãos) encontraram uma imagem de uma mulher com um menino em um braço e uma vela no outro, na beira de uma praia em Tenerife. Sem saber de quem se tratava, tentaram atacá-la, mas seus braços ficaram paralisados. Ao perceberem o caráter sagrado da "Estrangeira", converteram-se e deram início a um santuário que se tornaria um dos maiores centros de peregrinação do Atlântico. Com a expansão marítima, os navegadores portugueses e espanhóis espalharam essa devoção pelo Brasil, onde cidades como Salvador, Jaboatão dos Guararapes e tantas outras a acolheram como padroeira, especialmente ligando sua festa à benção das velas que os fiéis guardam para os momentos de tempestade e agonia.
Meditação
Nossa Senhora das Candeias nos ensina sobre a missão de ser portador da Luz. Maria não é a luz, mas é o "castiçal" de ouro que sustenta a chama divina. Ela nos mostra que a nossa vida cristã só ganha sentido quando estamos ocupados em apresentar Jesus ao mundo. Muitas vezes, tentamos brilhar com luz própria — através do nosso ego ou das nossas conquistas — e acabamos nos apagando. Maria nos convida à humildade de Simeão: reconhecer que a nossa salvação e a nossa luz vêm daquele que seguramos nos braços da fé.
A festa da Purificação nos recorda a humildade da obediência. Maria, concebida sem pecado, não precisava submeter-se ao rito de purificação, mas o fez por obediência à tradição de seu povo e por solidariedade à condição humana. Ela nos ensina que a verdadeira liberdade não está em buscar exceções para nós mesmos, mas em abraçar com amor as leis que nos tornam parte de uma comunidade. Em um mundo que exalta o privilégio e a soberba, a Virgem das Candeias nos desafia a caminhar na fila dos humildes, carregando a nossa "vela" de fidelidade no meio da multidão.
Por fim, a profecia de Simeão traz uma sombra necessária à luz das velas: a espada de dor que transpassaria o coração de Maria. Isso nos revela que a Luz de Cristo não é uma luz barata. Ela ilumina a verdade, e a verdade muitas vezes dói. Seguir a Virgem das Candeias significa aceitar que a nossa fé iluminará as áreas escuras da nossa vida que preferiríamos esconder. Mas é justamente nesse encontro entre a luz da vela e a escuridão do nosso coração que ocorre a verdadeira purificação. Ela nos garante que, por mais forte que seja a tempestade, quem caminha com a "Candeia Viva" que é Jesus, jamais tropeçará no desespero.
Oração
Deus onipotente e eterno, ao celebrarmos hoje a purificação da Bem-aventurada Virgem Maria, que apresentou no Templo o vosso Filho único revestido da nossa carne, humildemente vos suplicamos: fazei que possamos ser apresentados diante de vós com o coração purificado. Por intercessão de Nossa Senhora das Candeias, acendei em nossas almas a chama da vossa caridade, para que, caminhando neste mundo como filhos da luz, possamos chegar à claridade da vossa glória. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.