Santa Margarida de Cortona
Sábado, 22 de fevereiro de 2025
Resumo do dia
A vida de Santa Margarida de Cortona é uma das mais dramáticas e esperançosas "histórias de retorno" de toda a hagiografia cristã. Frequentemente chamada de "A Madalena da Ordem Franciscana", ela personifica a ideia de que nunca é tarde demais para recomeçar e que as feridas do passado podem se tornar as fontes de uma luz extraordinária. Nascida na Toscana em 1247, Margarida era uma jovem de beleza fulgurante, mas marcada por uma infância difícil sob o rigor de uma madrasta que não a amava. Aos 17 anos, em busca de afeto e fuga, ela fugiu com um jovem nobre de Montepulciano. Durante nove anos, viveu como sua amante em um castelo, cercada de luxo, prazeres e dando à luz um filho, embora vivesse em um estado constante de inquietude espiritual.
O ponto de virada na sua vida foi cinematográfico e aterrador. Certo dia, o seu amante não retornou de uma viagem. Foi o cão de caça dele que, voltando sozinho, puxou Margarida pelo vestido e a levou até uma floresta próxima, onde ela encontrou o corpo do companheiro assassinado e já em decomposição. Diante daquela visão da fragilidade da beleza e da riqueza humana, Margarida sentiu o impacto da eternidade. Ela não apenas chorou a morte do amado, mas a sua própria vida perdida. Devolveu todas as joias e propriedades à família do nobre e, com o filho pela mão, partiu para a casa do pai, que a rejeitou. Foi então que ela buscou refúgio em Cortona, junto aos frades franciscanos.
Em Cortona, Margarida iniciou um caminho de penitência radical que duraria 23 anos. Ingressou na Ordem Terceira de São Francisco e transformou seu amor passional em um amor místico e servil. Ela não se fechou em um remorso estéril; fundou um hospital para os pobres (Santa Maria della Misericórdia) e uma congregação de irmãs para atendê-los, as "Poverelle". Sua vida tornou-se uma sucessão de êxtases e visões, mas também de incompreensões por parte daqueles que não acreditavam na sua conversão. Margarida faleceu em 1297, sendo o seu corpo preservado incorrupto até hoje na basílica que leva seu nome em Cortona.
Meditação
Santa Margarida de Cortona nos ensina sobre a pedagogia da misericórdia. Muitas vezes acreditamos que o nosso passado "sujo" ou os nossos erros públicos nos impedem de chegar perto de Deus. Margarida nos prova o contrário: a sua experiência de pecado foi o adubo para a sua santidade. Ela nos mostra que Deus não está interessado no que fomos, mas no que desejamos ser a partir de agora. Ela é a prova viva de que "onde abundou o pecado, superabundou a graça".
Sua história com o cão que a leva ao corpo do amante é uma lição sobre a transitoriedade das vaidades. Todos nós temos "cães de caça" na vida — eventos, crises ou perdas que nos puxam pelo vestido para nos mostrar que as coisas em que depositamos nossa segurança são passageiras. Margarida teve a coragem de não desviar o olhar da realidade da morte. Ela nos desafia a perguntar: "O que em minha vida é apenas fachada e o que é realmente eterno?". A conversão dela não nasceu do medo, mas de um choque de realidade que a levou a buscar a única Beleza que não apodrece.
Por fim, Margarida nos ensina a caridade como fruto do perdão. Ela não se tornou uma mística isolada; ela foi cuidar dos doentes. Ela entendeu que, por ter sido muito perdoada, deveria amar muito. Sua vida em Cortona é um convite para transformarmos a nossa culpa em serviço. Se você sente o peso de erros passados, Margarida lhe diz: "Não gaste energia se chicoteando; gaste essa energia lavando as feridas de Cristo nos pobres". Ela é a padroeira dos que buscam um novo começo, garantindo-nos que a luz de Deus é capaz de transfigurar qualquer sombra.
Oração
Deus de infinita misericórdia, que em Santa Margarida de Cortona nos destes um sinal luminoso de conversão e penitência, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de reconhecermos os nossos desvios e de voltarmos para vós com todo o coração. Que o exemplo da sua caridade para com os pobres nos inspire a servir-vos nos nossos irmãos, e que, purificados pelo vosso amor, possamos um dia contemplar a vossa face na glória eterna. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.