São Policarpo
Domingo, 23 de fevereiro de 2025
Resumo do dia
São Policarpo é uma das figuras mais veneráveis da Igreja Primitiva, servindo como uma "ponte viva" entre a era dos Apóstolos e a Igreja dos séculos seguintes. Nascido por volta do ano 69 d.C., ele foi discípulo direto de São João Evangelista, que o consagrou Bispo de Esmirna (na atual Turquia). Por décadas, Policarpo foi o baluarte da ortodoxia na Ásia Menor, combatendo heresias e preservando com fidelidade absoluta os ensinamentos que ouvira diretamente daqueles que caminharam com Jesus. Ele é um dos três "Padres Apostólicos", junto com Clemente de Roma e Inácio de Antioquia.
O relato de seu martírio, ocorrido por volta de 155 d.C., é um dos documentos mais antigos e fidedignos da história da Igreja (Martyrium Polycarpi). Já em idade avançada, aos 86 anos, Policarpo foi levado ao estádio de Esmirna diante de uma multidão enfurecida. O procônsul romano, apiedado de sua velhice, ofereceu-lhe a liberdade se ele simplesmente amaldiçoasse a Cristo. A resposta de Policarpo ecoa até hoje como um dos maiores testemunhos de fidelidade: "Oitenta e seis anos o servi, e Ele nunca me fez mal algum. Como poderei eu blasfemar contra o meu Rei e Salvador?".
Condenado à fogueira, os soldados quiseram pregá-lo ao poste, mas ele afirmou que Deus lhe daria força para permanecer imóvel sem os pregos. A tradição narra que, ao ser aceso o fogo, as chamas não o tocavam, formando um arco ao seu redor como uma vela de navio ao vento, e que dele emanava um perfume suave, como incenso ou pão assado. Vendo que o fogo não o vencia, o carrasco foi ordenado a traspassá-lo com um punhal. Seu sangue apagou as chamas, e assim Policarpo entregou sua alma, sendo lembrado como o "mártir que o fogo não pôde queimar".
Meditação
São Policarpo nos ensina sobre a fidelidade de uma vida inteira. Em um mundo que valoriza o novo, o rápido e o descartável, a vida deste santo nos recorda o valor da perseverança. Ele não foi fiel apenas no momento dramático da morte; ele foi fiel nos 86 anos de serviço cotidiano, nos pequenos deveres e na guarda da doutrina. Ele nos desafia a perguntar: "Minha fé é um fogo de palha ou uma chama constante que se fortalece com o passar dos anos?". Policarpo nos mostra que a santidade é uma construção de longo prazo, um "sim" repetido dia após dia.
Sua figura como discípulo de São João revela a importância da Tradição. Policarpo não inventou uma nova fé; ele guardou o que recebeu. Ele nos ensina que não somos "ilhas" espirituais, mas elos de uma corrente que vem desde o Cenáculo. Em tempos de confusão de ideias, São Policarpo nos convida a voltarmos às fontes, a ouvirmos os mestres e a termos a humildade de sermos eternos aprendizes da Verdade. Ele é o modelo do bispo que não busca ser "original", mas busca ser fiel.
Por fim, o perfume que emanava de sua pira é uma metáfora poderosa. A vida de um cristão deve deixar um rastro de beleza e bondade no mundo, mesmo — e especialmente — no sofrimento. Onde o ódio buscava o cheiro de morte, Deus colocou o perfume do pão. Isso nos ensina que a nossa resposta às provações e perseguições deve ser sempre a doçura e a dignidade. Meditar sobre São Policarpo é pedir a graça de uma vida coerente, que começa na escuta atenta da Palavra e termina, se Deus quiser, no abraço final ao Rei a quem servimos por toda a vida.
Oração
Deus de todo o universo, que vos dignastes incluir o bispo São Policarpo no número dos vossos mártires, concedei-nos, por sua intercessão, que, participando do cálice de Cristo, possamos ressurgir com Ele para a vida eterna. Dai-nos a força de nunca negar o vosso nome diante das pressões do mundo e a graça de sermos, em todos os momentos, o bom perfume de Cristo para aqueles que nos cercam. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal