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Santo do Dia

Sexta-feira, 02 de janeiro de 2026

Santos Basílio Magno e Gregório Nazianzeno
Memoria Branco Santo

Santos Basílio Magno e Gregório Nazianzeno

Sexta-feira, 02 de janeiro de 2026

Resumo do dia

São Basílio Magno nasceu por volta do ano 329 em Cesareia da Capadócia, na atual Turquia, no seio de uma família profundamente cristã que deu à Igreja vários santos: sua avó Santa Macrina, a Velha; seus pais São Basílio, o Velho, e Santa Emélia; sua irmã Santa Macrina, a Jovem; e seus irmãos São Gregório de Nissa e São Pedro de Sebaste. Recebeu esmerada formação intelectual, estudando retórica e filosofia em Cesareia, Constantinopla e Atenas, onde conheceu e firmou profunda amizade com Gregório Nazianzeno.

Após concluir seus estudos, Basílio poderia ter seguido uma brilhante carreira secular, mas sentiu-se chamado a uma vida totalmente consagrada a Deus. Viajou pelo Egito, Palestina, Síria e Mesopotâmia para conhecer de perto a vida dos monges do deserto. De volta à Capadócia, retirou-se para o Ponto, às margens do rio Íris, onde abraçou a vida ascética. Ali redigiu as suas célebres Regras Monásticas — a Regra Maior e a Regra Menor —, que se tornaram a base fundamental do monaquismo oriental e influenciaram profundamente São Bento no Ocidente. Basílio concebia a vida monástica não como isolamento eremítico, mas como vida comunitária de oração, trabalho e serviço aos pobres.


Foi ordenado sacerdote e, em 370, eleito Arcebispo de Cesareia da Capadócia, tornando-se Metropolita de toda a região. Seu episcopado foi marcado por uma coragem extraordinária na defesa da fé ortodoxa contra o arianismo — heresia que negava a divindade plena de Cristo e que, naquela época, contava com o apoio do imperador Valente. Basílio enfrentou as pressões imperiais com firmeza inabalável. Conta-se que, diante das ameaças do prefeito Modesto, que prometia confisco de bens, exílio, tortura e morte, Basílio respondeu serenamente: "Quem nada possui, nada tem a perder. O exílio não me assusta, pois toda a terra é do Senhor. A tortura nada pode contra um corpo já consumido pela ascese. E a morte seria um favor, pois me levaria mais depressa a Deus."


Além de defensor da fé, Basílio foi um incansável servidor dos pobres. Em Cesareia, construiu uma vasta obra assistencial conhecida como Basilíada — um complexo que incluía hospital, hospedaria, asilo e oficinas de trabalho para os necessitados, considerado uma das primeiras grandes instituições de caridade da história cristã. Sua contribuição teológica foi igualmente monumental: elaborou a doutrina trinitária com precisão magistral, especialmente no tratado Sobre o Espírito Santo, e compôs a Divina Liturgia que até hoje leva seu nome e é celebrada no rito bizantino. Consumido pelo trabalho e pela ascese, faleceu em 1º de janeiro de 379, aos quarenta e nove anos, sendo aclamado pelo povo como santo. Recebeu o título de Magno — Grande — e é venerado como Doutor da Igreja e um dos quatro grandes Padres da Igreja Oriental.


São Gregório Nazianzeno nasceu por volta do ano 329 em Arianzo, perto de Nazianzo, também na Capadócia. Seu pai, Gregório, o Velho, era bispo de Nazianzo, e sua mãe, Santa Nona, foi responsável por sua profunda formação cristã. Desde jovem, Gregório dedicou-se apaixonadamente aos estudos, passando por Cesareia da Capadócia, Cesareia da Palestina, Alexandria e, finalmente, Atenas, onde travou amizade duradoura com Basílio. Os dois jovens capadócios viveram em Atenas uma intensa comunhão intelectual e espiritual, conhecendo juntos, como colegas, o futuro imperador Juliano, que mais tarde se tornaria apóstata.


Gregório era, por temperamento, um contemplativo. Seu desejo mais profundo era a vida retirada de oração e estudo. No entanto, a Providência lhe reservava outro caminho. Seu pai o ordenou sacerdote quase à força, o que lhe causou grande sofrimento interior — chegou a fugir para o Ponto, onde se juntou brevemente a Basílio na vida monástica, antes de retornar por senso de dever filial. Mais tarde, Basílio o consagrou bispo de Sásima, uma pequena e inexpressiva cidade, visando fortalecer sua posição eclesiástica na disputa contra o arianismo. Gregório sentiu-se profundamente magoado com o gesto do amigo, enxergando-o como um uso político da amizade, e jamais tomou posse efetiva da diocese.

Foi em Constantinopla, porém, que Gregório viveu seu momento mais decisivo. A capital do Império estava dominada pelo arianismo havia décadas. Em 379, a pequena comunidade ortodoxa, reduzida e perseguida, convidou Gregório para assumir a pregação na modesta capela da Anastásis — nome que significa Ressurreição. Ali, Gregório pronunciou os seus célebres Cinco Discursos Teológicos, nos quais expôs a doutrina da Santíssima Trindade com tal profundidade, clareza e beleza literária que lhe valeram para sempre o título único de "O Teólogo" — honra que a Igreja Oriental concede apenas a ele e a São João Evangelista. Seus sermões atraíram multidões e mudaram o curso da fé na capital imperial.


Com a ascensão do imperador Teodósio, favorável à ortodoxia, Gregório foi entronizado como Arcebispo de Constantinopla e presidiu parte do Segundo Concílio Ecumênico, em 381, que reafirmou a divindade do Espírito Santo e completou o Credo Niceno-Constantinopolitano que a Igreja recita até hoje. Contudo, quando surgiram disputas sobre a legitimidade de sua nomeação, Gregório — fiel ao seu espírito pacífico — renunciou voluntariamente ao trono episcopal com um comovente discurso de despedida, preferindo a paz da Igreja à própria honra. Retirou-se para Nazianzo, onde passou seus últimos anos dedicado à oração, à escrita e à poesia sacra. Faleceu em 25 de janeiro de 390. É venerado como Doutor da Igreja.

A Igreja celebra Basílio e Gregório juntos não apenas pela amizade que os uniu, mas porque ambos, com dons complementares — Basílio com seu gênio organizador e pastoral, Gregório com sua profundidade teológica e eloquência — foram pilares decisivos na defesa da fé trinitária e na formação da identidade cristã nos séculos que moldaram a Igreja.

Meditação

Basílio e Gregório nos revelam que a santidade não exige um único molde. Basílio era homem de ação, de governo, de obras concretas; Gregório era alma contemplativa, de palavras que iluminavam e de silêncios que purificavam. Um construiu hospitais; o outro construiu verdades no coração dos fiéis. Um enfrentou imperadores com firmeza de rocha; o outro renunciou ao poder com liberdade de espírito. E, no entanto, os dois serviram ao mesmo Senhor e defenderam a mesma fé. A amizade que os uniu — nem sempre isenta de dor e incompreensão — nos recorda que mesmo os santos carregam a fragilidade das relações humanas, e que o amor verdadeiro não é aquele que nunca fere, mas aquele que permanece fiel apesar das feridas. Que o exemplo destes dois grandes Padres nos ensine a colocar nossos dons, sejam quais forem, a serviço de Deus e da sua Igreja, sem invejar o caminho alheio, mas trilhando com fidelidade o nosso próprio.

Oração

Ó Deus, que iluminastes a vossa Igreja com o exemplo e os ensinamentos de São Basílio Magno e São Gregório Nazianzeno, concedei-nos buscar humildemente a vossa verdade e vivê-la com amor e fidelidade. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

(Oração Coleta da Memória de Santos Basílio Magno e Gregório Nazianzeno — Missal Romano)

Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal