Santíssimo Nome de Jesus
Sábado, 03 de janeiro de 2026
Resumo do dia
A devoção ao Santíssimo Nome de Jesus não celebra um santo em particular, mas o próprio Nome do Filho de Deus — o Nome que está acima de todo nome, diante do qual "se dobre todo joelho no céu, na terra e sob a terra" (Fl 2,10). Este Nome não foi escolhido por vontade humana: foi revelado pelo próprio Deus. O Arcanjo Gabriel, ao anunciar a Maria a concepção virginal do Salvador, ordenou que o Menino fosse chamado Jesus — em hebraico Yeshua, que significa "Deus salva" (Lc 1,31). A mesma instrução foi dada a São José em sonho pelo anjo do Senhor: "Ela dará à luz um filho, e tu lhe porás o nome de Jesus, porque Ele salvará o seu povo dos seus pecados" (Mt 1,21). Assim, o Nome de Jesus não é apenas uma identificação, mas uma revelação: carrega em si a própria missão do Verbo Encarnado — a salvação da humanidade.
Segundo a tradição judaica, o Menino recebeu oficialmente o seu Nome no dia da circuncisão, oito dias após o nascimento, conforme prescrevia a Lei de Moisés. Naquele gesto ritual, o sangue de Cristo foi derramado pela primeira vez — prelúdio silencioso do sangue que seria derramado na Cruz para a redenção de todo o gênero humano. O Nome de Jesus foi, portanto, selado desde o início no sacrifício.
Nos primeiros séculos da Igreja, o Nome de Jesus era invocado com profunda reverência. Os Apóstolos curavam enfermos, expulsavam demônios e pregavam o Evangelho sempre "em Nome de Jesus". São Pedro, diante do Sinédrio, proclamou com ousadia: "Não há salvação em nenhum outro, pois não existe debaixo do céu outro Nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos" (At 4,12). São Paulo, que antes perseguia os cristãos, tornou-se o grande apóstolo do Nome, ensinando que Deus exaltou Jesus e lhe deu "o Nome que está acima de todo nome" (Fl 2,9). A invocação do Nome de Jesus acompanhou os mártires ao suplício, os monges do deserto na oração contínua e os fiéis de todas as gerações como âncora de fé.
A devoção formal ao Santíssimo Nome floresceu de modo especial na Idade Média. São Bernardo de Claraval (1090–1153), o grande Doutor Melífluo, foi um dos primeiros a exaltar a doçura e o poder deste Nome com eloquência incomparável. Em seus sermões sobre o Cântico dos Cânticos, escreveu: "O Nome de Jesus é mel na boca, melodia no ouvido, júbilo no coração." Para Bernardo, pronunciar o Nome de Jesus era já uma forma de oração, de consolo nas tribulações e de luz nas trevas da alma.
No século XIV, São Bernardino de Sena (1380–1444), frade franciscano e um dos maiores pregadores da história da Igreja, tornou-se o grande apóstolo do Nome de Jesus. Percorrendo as cidades e aldeias de uma Itália devastada por guerras, pestes e divisões, Bernardino erguia diante das multidões uma tabuleta com o monograma IHS — abreviação do Nome de Jesus em grego (ΙΗΣΟΥΣ) — cercado por raios de sol, convidando o povo a abandonar as superstições, os ódios partidários e os vícios, e a colocar toda a sua confiança no Nome do Salvador. Seu gesto era simples, mas revolucionário: em cidades dilaceradas por rivalidades entre facções, ele pedia que as famílias retirassem de suas fachadas os brasões de partido e colocassem no lugar o monograma de Cristo. A devoção propagou-se com tal fervor que Bernardino chegou a ser acusado de idolatria e heresia, sendo levado a julgamento diante do Papa Martinho V. Defendeu-se com tal sabedoria teológica que foi absolvido e encorajado a continuar sua pregação. Seu discípulo, São João Capistrano, deu continuidade à obra, espalhando a devoção por toda a Europa.
A festa litúrgica foi estabelecida formalmente no século XVI. O Papa Clemente VII a concedeu em 1530 à Ordem Franciscana, reconhecendo o papel central dos frades menores na difusão desta devoção. Em 1721, o Papa Inocêncio XIII estendeu a celebração a toda a Igreja universal. Ao longo dos séculos, a festa sofreu diversas mudanças de data. Na reforma litúrgica do Concílio Vaticano II, foi fixada no dia 3 de janeiro, logo após a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, situando-a no coração do tempo natalino — quando a Igreja contempla justamente o mistério do Deus que se fez homem e recebeu um Nome humano.
A Companhia de Jesus, fundada por Santo Inácio de Loyola em 1540, adotou o monograma IHS como seu emblema, levando a devoção ao Nome de Jesus aos quatro cantos do mundo através de suas missões. O próprio nome da ordem — jesuítas — é uma profissão de fé no Nome do Salvador.
O Santíssimo Nome de Jesus é, assim, mais do que uma devoção: é o coração da fé cristã. Nele se resume todo o Evangelho. Cada vez que o fiel o pronuncia com fé — na oração, na bênção, no sofrimento ou na alegria —, invoca a presença salvífica daquele que veio ao mundo para que "todo aquele que invocar o Nome do Senhor seja salvo" (Rm 10,13).
Meditação
Há um Nome que atravessa os séculos sem perder a sua força. Não é o nome de um conquistador, de um filósofo ou de um rei da terra — é o Nome daquele que, sendo Deus, quis receber um nome humano para que nós, humanos, pudéssemos chamar Deus pelo nome. Jesus. Quando Maria o pronunciou pela primeira vez ao embalar o Menino em Belém, toda a criação estremeceu em silêncio. Quando os enfermos o gritavam à beira da estrada, a cura chegava. Quando os demônios o ouviam, fugiam. Quando os mártires o sussurravam nas arenas, o próprio céu se abria.
São Bernardo tinha razão: este Nome é mel na boca, melodia no ouvido, júbilo no coração. Mas é também espada que separa a verdade da mentira, fogo que purifica, rocha que sustenta. Não o pronunciemos por hábito ou distração. Cada vez que dizemos "Jesus", estamos invocando a presença real do Deus vivo. Que este Nome seja a primeira palavra de cada manhã e a última de cada noite, o refúgio em toda angústia e a ação de graças em toda alegria. Pois não há outro Nome no céu e na terra pelo qual possamos ser salvos.
Oração
Ó Deus, que constituístes o vosso Filho Unigênito como Salvador do gênero humano e lhe destes o Nome de Jesus, concedei-nos, em vossa bondade, que, venerando o seu Santo Nome na terra, possamos gozar da sua visão beatífica no céu. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.
(Oração Coleta da Memória do Santíssimo Nome de Jesus — Missal Romano)
Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal