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Santo do Dia

Domingo, 04 de janeiro de 2026

S. Ângela de Folinho
Memoria Branco Santa

S. Ângela de Folinho

Domingo, 04 de janeiro de 2026

Resumo do dia

A trajetória de Santa Ângela de Foligno é uma das mais desconcertantes e profundas lições de conversão de toda a história da Igreja. Se São Francisco de Assis é o "Pobre de Deus", Ângela é frequentemente chamada de a "Mestra dos Teólogos" (Magistra Theologorum), pois, sem nunca ter frequentado bancos universitários, penetrou nos mistérios da Paixão de Cristo e da Santíssima Trindade com uma profundidade que deixou perplexos os maiores doutores de seu tempo.

Nascida em 1248, em Foligno, na Úmbria (mesma região de São Francisco), Ângela passou a primeira metade de sua vida imersa no que o mundo chamaria de "sucesso social". Casada com um homem rico, mãe de vários filhos e cercada de luxo, ela mesma admitia em suas confissões posteriores que viveu anos sob o signo da vaidade, da soberba e de uma religiosidade superficial. Sua conversão não foi um raio súbito, mas um doloroso processo de "despojamento" iniciado por volta de 1285, quando, atormentada pelo remorso de pecados que tinha vergonha de confessar, pediu a Deus que lhe mostrasse um caminho de verdade.

A Providência, contudo, visitou-a sob a forma do sofrimento extremo. Em um curto espaço de tempo, Ângela perdeu sua mãe, seu marido e todos os seus filhos. Diante do vazio absoluto e da solidão humana, ela não se entregou ao desespero, mas ao abraço da Cruz. Entrou para a Ordem Terceira de São Francisco e iniciou uma caminhada de desapego radical, vendendo todas as suas posses e distribuindo o valor aos pobres, para viver como uma mendicante e serva dos necessitados.

O coração da sua experiência mística está registrado no seu "Memorial", escrito pelo seu confessor, o Frei Arnaldo. Nele, Ângela descreve seus trinta "passos" de aproximação de Deus. Sua espiritualidade é marcada por um realismo impressionante sobre a humanidade de Jesus. Ela contemplava a Paixão não como um evento distante, mas como um mistério atual, sentindo as dores de Cristo em sua própria carne. Durante uma peregrinação a Assis, ela experimentou uma união mística tão intensa com o Espírito Santo que chegou a gritar dentro da basílica, para escândalo dos presentes, pois o amor divino a "feria" com uma doçura insuportável. Ângela tornou-se o centro de um grupo de discípulos, os "filhos espirituais", a quem guiava com firmeza e ternura até sua morte em 1309. Foi canonizada pelo Papa Francisco em 2013.

Meditação

Santa Ângela de Foligno nos ensina que Deus é capaz de preencher os vácuos mais profundos da alma humana. A perda de sua família, que para o mundo seria o fim de toda esperança, foi para ela o início de uma comunhão total com o Eterno. Ela nos mostra que, às vezes, Deus permite que nossas seguranças humanas sejam abaladas para que possamos descobrir que Ele é a única rocha que não se move. Ângela não amou menos sua família por amar mais a Deus; ela simplesmente aprendeu que todo amor humano deve estar ancorado no Amor que nunca morre.

Sua vida é um apelo à sinceridade absoluta na confissão. O grande sofrimento de sua juventude era o medo de ser verdadeira diante de Deus. Ângela nos recorda que a paz interior só começa quando deixamos cair as máscaras da vaidade e permitimos que a Misericórdia toque nossas feridas reais. Ela, que se chamava de "Lameiro de Vícios", tornou-se um "Espelho de Virtudes" porque não teve medo de olhar para a sua própria miséria sob a luz da Cruz.

Meditar sobre a "Mestra dos Teólogos" é entender que a teologia mais alta se faz de joelhos. Ângela não conhecia o latim erudito das escolas, mas conhecia a "gramática do amor" de Cristo. Ela nos convida a sair de uma fé puramente intelectual para uma fé experimental: não basta saber sobre Deus, é preciso conhecer a Deus. Em um mundo que foge da dor e busca o conforto a qualquer preço, Santa Ângela brilha como aquela que encontrou a alegria perfeita no centro das chagas de Jesus, ensinando-nos que sofrer com Cristo é a maneira mais rápida de aprender a amar como Ele.

Oração

Ó Deus, que concedestes a Santa Ângela de Foligno a graça de contemplar com amor os mistérios da Paixão do vosso Filho e de encontrar na pobreza e no sofrimento a riqueza da vossa união, concedei-nos, por sua intercessão, que, despojados de todo egoísmo, saibamos descobrir a vossa presença nos nossos irmãos sofredores e repousar inteiramente em vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

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