Menu

Santo do Dia

Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026

São Raimundo de Penaforte
Memoria facultativa Branco Santo

São Raimundo de Penaforte

Quarta-feira, 07 de janeiro de 2026

Resumo do dia

Raimundo nasceu por volta do ano 1175 no castelo de Penaforte, na região da Catalunha, no nordeste da atual Espanha, pertencente à nobre família dos Penaforte, aparentada com os reis de Aragão e os condes de Barcelona. Desde a infância, demonstrou inteligência excepcional e inclinação para os estudos. Aos vinte anos, já era professor de filosofia em Barcelona, ensinando gratuitamente, por amor ao saber e aos jovens estudantes.

Desejoso de aprofundar sua formação, partiu para Bolonha, na Itália, então o mais prestigioso centro de estudos jurídicos de toda a Europa. Ali, dedicou-se ao estudo do Direito Canônico e do Direito Civil, obtendo o doutorado em ambas as áreas. Sua competência era tão reconhecida que foi convidado a lecionar na própria Universidade de Bolonha, onde ensinou por cerca de três anos, atraindo grande número de alunos. Em Bolonha, já se distinguia não apenas pelo brilhantismo intelectual, mas pela vida austera, pela caridade com os pobres e pela profunda piedade.

De volta a Barcelona em 1219, Raimundo foi nomeado cônego da catedral e vigário geral da diocese pelo bispo Berengário de Palou. Contudo, o chamado à radicalidade evangélica falava mais alto em seu coração. Em 1222, aos quarenta e sete anos, pediu para ingressar na recém-fundada Ordem dos Pregadores — os dominicanos —, fundada por São Domingos de Gusmão, que ainda vivia. A decisão causou surpresa em muitos: Raimundo já era um dos juristas mais respeitados da Europa e ocupava posição de destaque no clero secular. Ao vestir o hábito dominicano, renunciou a tudo — prestígio, carreira, conforto — para abraçar uma vida de pobreza, oração e pregação. Foi um dos primeiros dominicanos da Espanha.

Dentro da Ordem, Raimundo rapidamente se destacou. São Domingos, pouco antes de falecer em 1221, já reconhecia nele um dos membros mais valiosos da jovem comunidade. Raimundo dedicou-se intensamente à pregação e à confissão, tornando-se um dos confessores mais procurados de Barcelona. Foi justamente a experiência no confessionário que o levou à sua primeira grande obra: entre 1222 e 1229, compilou a Summa de Casibus Poenitentiae (Suma de Casos Penitenciais), um tratado sistemático de teologia moral e direito canônico voltado para a prática da confissão. A obra tornou-se referência obrigatória em toda a Europa durante séculos, servindo como guia para confessores e formadores de consciência. Nela, Raimundo organizou com clareza e método os princípios morais e as normas canônicas que orientavam o sacramento da Penitência, tornando acessível um campo até então disperso e confuso.

Sua fama chegou a Roma. O Papa Gregório IX, que o conhecia pessoalmente e nutria por ele grande estima, chamou-o à Cúria Romana em 1230 e confiou-lhe uma missão monumental: reunir, organizar e sistematizar toda a legislação canônica da Igreja, que ao longo de séculos havia se acumulado em decretos, bulas, concílios e respostas papais, muitas vezes contraditórios e de difícil consulta. Raimundo trabalhou por três anos nesta tarefa colossal, e em 1234 entregou ao Papa as Decretais de Gregório IX (Decretales Gregorii IX), também conhecidas como Liber Extra. Esta obra — dividida em cinco livros, organizados por temas, com as contradições resolvidas e as normas obsoletas eliminadas — tornou-se o código oficial de Direito Canônico da Igreja e permaneceu em vigor por quase sete séculos, até a promulgação do novo Código em 1917. É considerada uma das maiores realizações jurídicas da Idade Média e rendeu a Raimundo o título de "Pai do Direito Canônico".

Gregório IX ofereceu-lhe o Arcebispado de Tarragona, a mais importante diocese da Catalunha. Raimundo recusou firmemente, preferindo a vida simples de frade pregador. A recusa de honras eclesiásticas era um traço constante de seu carácter — para ele, servir à Igreja significava trabalho, não poder.

Em 1238, contra a sua vontade, foi eleito Mestre Geral da Ordem dos Pregadores, o terceiro na história da Ordem, sucedendo ao Beato Jordão de Saxônia. Raimundo aceitou por obediência, mas governou com um espírito profundamente reformador. Durante os dois anos em que exerceu o cargo, revisou as Constituições da Ordem dominicana, dando-lhes forma jurídica mais precisa e adaptando-as às necessidades de uma congregação em rápida expansão pela Europa. Percorreu a pé grande parte dos conventos da Ordem, visitando as comunidades, corrigindo abusos e fortalecendo a disciplina religiosa. Sua revisão das Constituições foi tão bem feita que se manteve como base normativa da Ordem por séculos.

Em 1240, alegando idade avançada — tinha sessenta e cinco anos —, renunciou ao cargo de Mestre Geral. Há relatos de que também sofreu uma grave enfermidade que o debilitou consideravelmente. Livre do governo, retornou a Barcelona e dedicou as últimas décadas de sua longa vida àquela que considerava a grande missão inacabada da Igreja de seu tempo: a evangelização dos muçulmanos e dos judeus na Península Ibérica e no norte da África.

Raimundo compreendia que a evangelização não poderia ser feita pela força, mas pela palavra, pelo diálogo e pelo conhecimento profundo das culturas e religiões dos povos que se desejava alcançar. Com esta visão, promoveu a fundação de escolas de línguas orientais — especialmente de árabe e hebraico — nos conventos dominicanos, para que os frades pudessem estudar o Alcorão, as tradições judaicas e as filosofias dos povos muçulmanos, e assim dialogar com eles de forma competente e respeitosa. Esta iniciativa era revolucionária para a época e fez de Raimundo um dos precursores do diálogo inter-religioso na história da Igreja.

Foi neste contexto que Raimundo exerceu influência decisiva sobre um jovem contemporâneo que viria a se tornar um dos maiores gênios da Idade Média: São Tomás de Aquino. Segundo a tradição dominicana, Raimundo encorajou Tomás a escrever a Summa contra Gentiles, obra apologética destinada a fornecer aos missionários argumentos racionais para o diálogo com muçulmanos e judeus. Se esta atribuição direta é debatida pelos historiadores, é certo que o ambiente missionário e intelectual fomentado por Raimundo na Ordem foi solo fértil para o florescimento da obra tomista.

Raimundo também teve papel fundamental na criação dos primeiros tribunais da Inquisição na coroa de Aragão, trabalhando com o rei Jaime I para combater a heresia cátara que se espalhava pelo sul da França e pela Catalunha. Este aspecto de sua atuação, compreensível dentro do contexto medieval, é objeto de avaliação complexa pelos historiadores modernos.

A tradição hagiográfica atribui a Raimundo diversos milagres, sendo o mais célebre a travessia milagrosa do mar de Maiorca a Barcelona. Conta-se que, estando na ilha de Maiorca a serviço da evangelização, Raimundo repreendeu severamente o rei Jaime I por sua vida irregular e seus escândalos amorosos. O rei, enfurecido, proibiu qualquer embarcação de transportar o frade de volta ao continente. Raimundo, então, dirigiu-se à praia, estendeu seu manto sobre as águas, amarrou uma ponta ao seu bastão como vela, fez o sinal da Cruz e navegou sobre as ondas por mais de cento e sessenta milhas até chegar ao porto de Barcelona, diante do espanto dos que o viram chegar. Este episódio, embora lendário, tornou-se um dos mais populares da iconografia do santo, que é frequentemente representado navegando sobre seu manto.

Raimundo viveu até uma idade extraordinária. Faleceu em Barcelona no dia 6 de janeiro de 1275, dia da Epifania, aos quase cem anos de idade. Seus funerais foram celebrados com grande solenidade, com a presença do rei Jaime I — o mesmo que outrora o perseguira — e de toda a nobreza e clero da Catalunha. Foi sepultado na capela de Santa Catarina, no convento dominicano de Barcelona.

Foi canonizado pelo Papa Clemente VIII em 1601. É padroeiro dos canonistas e dos advogados de Direito Canônico, e sua memória litúrgica é celebrada no dia 7 de janeiro. São Raimundo de Penaforte permanece como um dos maiores juristas que a Igreja já produziu, um religioso de santidade profunda e um visionário da evangelização pelo diálogo e pelo conhecimento.

Meditação

A vida de São Raimundo nos mostra que a inteligência, quando colocada a serviço de Deus, torna-se instrumento de ordem, de justiça e de salvação. Num mundo que muitas vezes opõe razão e fé, saber e santidade, Raimundo uniu ambos de forma exemplar. Foi um dos maiores juristas de seu tempo e, ao mesmo tempo, um frade humilde que recusou arcebispados e prelazias, preferindo a cela do convento ao palácio episcopal.

Impressiona também a sua longevidade fecunda. Raimundo não se aposentou da missão: aos sessenta e cinco anos, quando renunciou ao governo da Ordem, não se recolheu ao descanso — lançou-se ao sonho mais audacioso de sua vida: levar o Evangelho aos que não o conheciam, não pela espada, mas pela palavra, pelo estudo e pelo respeito. Fundou escolas, formou missionários, incentivou o diálogo. Aos oitenta, noventa anos, continuava ativo, presente, ardente.

Quantos de nós, diante de uma dificuldade, de uma recusa, de uma idade que avança, nos sentimos tentados a parar? Raimundo nos recorda que enquanto houver fôlego, há missão. Que a nossa inteligência, os nossos talentos e até mesmo os nossos anos não sejam guardados para nós mesmos, mas entregues generosamente àquele que no-los confiou.

Oração

Ó Deus, que escolhestes São Raimundo de Penaforte como insigne ministro do sacramento da Penitência, e lhe concedestes admirável sabedoria no conhecimento do Direito, concedei-nos, por sua intercessão, praticar fielmente o que ele ensinou, para alcançarmos os remédios da vossa misericórdia. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

(Oração Coleta da Memória de São Raimundo de Penaforte — Missal Romano)

Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal