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Santo do Dia

Quinta-feira, 08 de janeiro de 2026

São Severino do Nórico
Memoria Branco Santo

São Severino do Nórico

Quinta-feira, 08 de janeiro de 2026

Resumo do dia

A figura de São Severino do Nórico surge como um farol de ordem e caridade em um dos períodos mais caóticos e sombrios da história europeia: o século V, marcado pelo colapso definitivo do Império Romano do Ocidente. Enquanto as fronteiras de Roma desmoronavam sob o peso das invasões bárbaras, Severino apareceu misteriosamente nas margens do Rio Danúbio, na região da Panônia e do Nórico (atuais Áustria e Baviera). Ninguém sabia ao certo de onde ele vinha; seu sotaque sugeria o Oriente ou a África, mas ele guardava sua origem em silêncio absoluto, afirmando apenas que era um servo de Deus enviado para consolar as populações aterrorizadas.

Severino não era um bispo, nem possuía exércitos; era um monge que vivia em extrema austeridade, vestindo uma túnica simples no inverno rigoroso e caminhando descalço sobre o gelo. No entanto, sua autoridade espiritual era tal que tanto os romanos quanto os chefes bárbaros o respeitavam profundamente. Ele tornou-se o grande organizador social da região: organizava coletas de alimentos para os famintos, negociava a libertação de prisioneiros e coordenava a evacuação de cidades que ele mesmo profetizava que seriam destruídas. Sua vida está documentada por seu discípulo Eugípio, no livro Vita Severini, um dos raros e preciosos relatos históricos daquela época de transição.

Um dos episódios mais célebres de sua vida foi o encontro com Odoacro, o chefe dos hérulos que viria a depor o último imperador romano. Antes de sua ascensão, Odoacro, então um jovem guerreiro pobre e de estatura imensa, procurou Severino em sua cela. Como o teto era baixo, o bárbaro teve de se curvar para entrar. Severino olhou para ele e profetizou: "Vá para a Itália; hoje você veste peles pobres, mas em breve distribuirá riquezas a muitos". Quando Odoacro tornou-se rei da Itália, enviou uma carta ao santo oferecendo-lhe qualquer favor; Severino pediu apenas a libertação de um exilado. Ele faleceu em 482, entoando o Salmo 150 ("Tudo o que respira louve ao Senhor"). Seis anos após sua morte, quando os romanos abandonaram definitivamente a região do Nórico, levaram consigo o corpo do santo para a Itália, como seu tesouro mais precioso.

Meditação

São Severino nos ensina sobre a presença cristã em meio às ruínas. Ele viveu o fim de um mundo; tudo o que as pessoas conheciam como "civilização" estava sendo queimado e saqueado. Em vez de fugir para um lugar seguro ou entregar-se ao desespero, Severino permaneceu no "olho do furacão". Ele nos mostra que o cristão não é alguém que espera as coisas melhorarem para agir, mas alguém que, precisamente quando tudo piora, torna-se o ponto de equilíbrio, de caridade e de esperança. Ele não tentou salvar o Império Romano; ele tentou salvar as pessoas.

Sua vida é um convite à humildade e ao desapego. Ao esconder sua origem, Severino nos lembra que o que importa não é quem somos ou de onde viemos, mas o que Deus está fazendo através de nós agora. Em um mundo obcecado por currículos e prestígio, Severino escolheu ser apenas uma "voz no deserto". Ele nos ensina que a autoridade moral não se impõe pelo poder, mas pela coerência de vida. Quem vive o que prega — como ele, que dividia seu único pão com os refugiados — ganha o respeito até daqueles que não compartilham da sua fé.

Meditar sobre São Severino é também refletir sobre a caridade organizada. Ele não apenas sentia pena dos pobres; ele criava sistemas de logística para que o dízimo fosse distribuído com justiça. Ele nos desafia a sermos práticos em nossa fé. Em tempos de incerteza econômica ou social, São Severino nos convoca a não fecharmos as mãos sobre o que temos, mas a sermos canais de partilha. Ele é o santo que nos recorda que, mesmo quando os sistemas políticos e sociais falham, o Reino de Deus continua sendo construído através de gestos concretos de amor e coragem.

Oração

Ó Deus, que pelo vosso servo São Severino quisestes levar o conforto da fé e o auxílio da caridade aos povos provados pela guerra e pela fome, concedei-nos, por sua intercessão, que, em meio às mutações e crises deste mundo, permaneçamos firmes no vosso serviço e sejamos para os nossos irmãos sinais vivos da vossa providência. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.