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Santo do Dia

Domingo, 11 de janeiro de 2026

Batismo do Senhor
Festa Branco Santo

Batismo do Senhor

Domingo, 11 de janeiro de 2026

Resumo do dia

A Festa do Batismo do Senhor encerra o Tempo do Natal e marca a passagem para o Tempo Comum no calendário litúrgico. Nela, a Igreja contempla o momento em que Jesus de Nazaré, aos cerca de trinta anos de idade, deixou a vida oculta na pequena oficina de carpinteiro em Nazaré e apresentou-se publicamente às margens do rio Jordão para ser batizado por João, inaugurando assim a sua vida pública e a missão redentora que culminaria na Cruz e na Ressurreição.

Para compreender o Batismo de Jesus, é preciso primeiro compreender a figura extraordinária de João Batista — o precursor, a voz que clama no deserto. Filho do sacerdote Zacarias e de Isabel, prima de Maria, João nasceu de forma miraculosa, pois seus pais eram estéreis e avançados em idade. Desde o ventre materno já havia sido tocado pelo Espírito Santo, quando saltou de alegria no encontro de sua mãe com a Virgem Maria na Visitação. Cresceu no deserto da Judeia, levando uma vida de austeridade radical — vestia-se de pêlos de camelo, alimentava-se de gafanhotos e mel silvestre — preparando-se para a missão que Deus lhe confiara: anunciar a vinda iminente do Messias e preparar o povo para recebê-lo.

Por volta do ano 27 ou 28 da era cristã, João surgiu pregando às margens do Jordão, na região desértica a leste de Jerusalém. Sua pregação era ardente e cortante como fogo: "Convertei-vos, porque o Reino dos céus está próximo!" (Mt 3,2). Exigia dos que o procuravam não apenas palavras de arrependimento, mas frutos concretos de conversão — os cobradores de impostos deviam deixar a desonestidade, os soldados deviam renunciar à violência e à extorsão, os que tinham duas túnicas deviam repartir com quem não tinha nenhuma. Como sinal exterior de conversão interior, João mergulhava os penitentes nas águas do Jordão — um batismo de água para o perdão dos pecados, gesto ritual de purificação que deu origem ao seu nome: "o Batista", o que batiza, o que mergulha. Multidões acorriam de Jerusalém, de toda a Judeia e de toda a região do Jordão para ouvi-lo e ser batizadas.

A fama de João era tal que muitos se perguntavam se ele próprio não seria o Messias esperado. João, porém, era de uma clareza absoluta sobre a sua identidade: "Eu não sou o Cristo" (Jo 1,20). E proclamava: "Eu vos batizo com água, para o arrependimento. Mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, e eu não sou digno de carregar as suas sandálias. Ele vos batizará no Espírito Santo e no fogo" (Mt 3,11). João sabia que era apenas a lâmpada, não a Luz; o arauto, não o Rei; a voz, não a Palavra.

Foi então que, num dia como tantos outros às margens daquele rio carregado de história sagrada — o mesmo Jordão que Josué atravessara para entrar na Terra Prometida, o mesmo que Elias dividira com seu manto —, Jesus veio da Galileia ao Jordão para ser batizado por João. O Evangelho de Mateus registra a cena com detalhes preciosos (Mt 3,13-17). Quando Jesus se apresentou diante dele, João resistiu: "Sou eu que preciso ser batizado por ti, e tu vens a mim?" (Mt 3,14). A objeção de João era teologicamente perfeita: seu batismo era para pecadores, e diante dele estava o Cordeiro sem mancha, o Santo de Deus. Que sentido teria mergulhar nas águas da penitência aquele que não tinha pecado algum?

A resposta de Jesus é uma das chaves para compreender todo o mistério: "Deixa por agora; convém que cumpramos toda a justiça" (Mt 3,15). Jesus não precisava ser purificado. Mas, ao entrar nas águas do Jordão, Ele não desceu para ser lavado — desceu para lavar as próprias águas. Ao mergulhar no rio onde os pecadores confessavam suas culpas, Jesus assumiu sobre si o peso da humanidade pecadora. Era o primeiro ato público daquele que, sendo inocente, "foi contado entre os transgressores" (Is 53,12), prefiguração do que se consumaria na Cruz, quando carregaria sobre os seus ombros os pecados do mundo inteiro. São João Crisóstomo ensina que, ao descer ao Jordão, Cristo santificou todas as águas, preparando-as para o sacramento do Batismo cristão. Onde o pecado havia poluído, a presença do Santo purificou.

No momento em que Jesus saiu da água, três sinais extraordinários se manifestaram simultaneamente, constituindo uma das mais grandiosas teofanias — manifestações de Deus — de toda a Escritura:

Primeiro, os céus se abriram. O verbo utilizado por Marcos é especialmente forte: eskísthē — os céus se rasgaram (Mc 1,10). Não foi uma abertura suave, mas uma ruptura violenta, como se a barreira entre o céu e a terra, erguida pelo pecado desde o Éden, fosse finalmente rompida de forma irreversível. Os profetas haviam suplicado por esse momento: "Oh, se rasgasses os céus e descesses!" (Is 63,19). No Batismo de Jesus, o grito do profeta foi atendido.

Segundo, o Espírito Santo desceu sobre Jesus em forma de pomba. Os quatro Evangelhos registram este detalhe, conferindo-lhe importância capital. A pomba evoca múltiplos significados bíblicos: a pomba que Noé soltou da arca e que voltou trazendo um ramo de oliveira, sinal de que as águas do juízo haviam recuado e uma nova criação começava (Gn 8,11); o Espírito de Deus que "pairava sobre as águas" na criação do mundo (Gn 1,2). No Batismo do Jordão, uma nova criação se inaugura. O Espírito que pairou sobre o caos primordial agora pousa sobre o Novo Adão, ungindo-o visivelmente para a missão messiânica. Jesus é o Christós — o Ungido — não com óleo feito por mãos humanas, mas com o próprio Espírito de Deus.

Terceiro, e mais solene, a voz do Pai se fez ouvir dos céus: "Este é o meu Filho amado, em quem me comprazo" (Mt 3,17). Pela primeira vez na história da salvação, as três Pessoas da Santíssima Trindade se manifestam ao mesmo tempo de forma perceptível: o Filho nas águas, o Espírito descendo como pomba, o Pai falando do céu. Por isso a Tradição oriental chama esta festa de Teofania — a manifestação plena de Deus. A voz do Pai ecoa duas passagens do Antigo Testamento: o Salmo messiânico — "Tu és meu Filho, eu hoje te gerei" (Sl 2,7) — e o cântico do Servo Sofredor de Isaías — "Eis o meu Servo a quem eu sustento, o meu eleito, em quem tenho prazer" (Is 42,1). Jesus é, ao mesmo tempo, o Rei prometido e o Servo que sofre — aquele que reinará não pela força, mas pelo amor que se entrega até a morte.

A escolha do rio Jordão como cenário deste evento não é casual. O Jordão era a fronteira da Terra Prometida. Foi atravessando suas águas que o povo de Israel, guiado por Josué — cujo nome em hebraico, Yehoshua, é o mesmo de Jesus —, entrou na herança que Deus lhe havia destinado. No Batismo, Jesus, o novo Josué, inaugura a travessia definitiva: não para uma terra de leite e mel, mas para o Reino dos Céus, aberto a todos os povos. O rio que marcara a entrada na Antiga Aliança torna-se, pela presença de Cristo, a porta da Nova e Eterna Aliança.

Após o Batismo, o Espírito Santo imediatamente conduziu Jesus ao deserto, onde jejuou quarenta dias e quarenta noites e foi tentado pelo diabo — preparação silenciosa para o ministério público que se iniciaria em seguida, com a pregação do Evangelho, a cura dos doentes, a libertação dos oprimidos e a chamada dos discípulos. O Batismo no Jordão foi, assim, o ponto de partida de tudo: o momento em que o carpinteiro de Nazaré se revelou publicamente como o Messias de Israel e o Salvador do mundo.

Na vida da Igreja, a Festa do Batismo do Senhor possui uma ligação íntima com o sacramento do Batismo cristão. O que Jesus inaugurou no Jordão, Ele confiou à sua Igreja como porta de entrada na vida da graça. No Batismo cristão, o fiel é mergulhado na morte e ressurreição de Cristo, os céus se abrem sobre ele, o Espírito Santo desce sobre sua alma, e o Pai pronuncia sobre cada batizado, misteriosamente, as mesmas palavras: "Tu és meu filho amado." Por isso, a liturgia deste dia convida os fiéis a renovarem as promessas do próprio Batismo, recordando que a identidade mais profunda de cada cristão não está no nome que carrega, na profissão que exerce ou na nação a que pertence, mas na filiação divina recebida na pia batismal.

Nas Igrejas do Oriente — tanto ortodoxas quanto católicas de rito oriental —, a Festa do Batismo do Senhor, celebrada em 6 de janeiro como a grande Teofania, é uma das solenidades mais importantes do ano. Neste dia, realiza-se a solene Bênção das Águas: o sacerdote ou bispo mergulha a cruz nas águas — de um rio, de um lago, do mar ou de uma grande pia — invocando o Espírito Santo para que santifique as águas assim como Cristo santificou o Jordão. Os fiéis levam para casa a água benta para abençoar suas famílias, seus lares e seus campos. Em muitas comunidades, sobretudo na Rússia e na Grécia, os fiéis mergulham nas águas geladas em pleno inverno, num ato de devoção e coragem que recorda o mergulho de Cristo no Jordão.

Meditação

Há algo profundamente desconcertante no Batismo do Senhor. O Criador do universo entra na fila dos pecadores. Aquele que sustenta os oceanos com a palma da mão submete-se ao banho de um rio. O Santo deixa-se mergulhar nas águas onde os impuros confessavam suas culpas. E faz isso não por necessidade, mas por amor — um amor que não se envergonha de descer, de se misturar, de carregar o peso do outro.

Jesus não começou a sua vida pública com um discurso do alto de uma montanha, nem com um milagre espetacular, nem com uma demonstração de poder diante dos grandes de Jerusalém. Começou descendo. Descendo ao rio. Descendo entre os pecadores. Descendo até onde a humanidade estava, para de lá erguê-la consigo.

E quando saiu da água, o Pai rasgou o silêncio dos céus para dizer o que todo coração humano precisa ouvir: "Tu és meu filho amado." Estas palavras não foram dirigidas apenas a Jesus — foram dirigidas a cada um de nós. Pois o que Cristo inaugurou no Jordão, o Batismo cristão realiza em cada alma. No dia em que fomos batizados, o Pai olhou para nós e disse, com a mesma ternura: "Tu és meu filho amado." Esta é a nossa identidade mais verdadeira, anterior a qualquer fracasso, a qualquer pecado, a qualquer ferida. Antes de sermos qualquer outra coisa, somos filhos amados.

Que a memória do nosso Batismo não seja um registro empoeirado num livro paroquial, mas a fonte viva de onde brota cada dia a coragem de viver como filhos da luz.

Oração

Deus todo-poderoso e eterno, que na ocasião do Batismo no rio Jordão proclamastes solenemente o vosso Filho amado, sob a presença do Espírito Santo, concedei aos vossos filhos de adoção, renascidos da água e do Espírito Santo, perseverar sempre no vosso amor. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

(Oração Coleta da Festa do Batismo do Senhor — Missal Romano)

Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal | Regra: domingo depois de 6 de janeiro