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Santo do Dia

Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Santa Martinha
Memoria Branco Santa

Santa Martinha

Sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Resumo do dia

A história de Santa Martinha nos leva ao coração de Roma no século III, durante o reinado do imperador Alexandre Severo. Ela era filha de um nobre cônsul romano, o que lhe conferia um status social elevadíssimo e uma fortuna considerável. No entanto, a morte prematura de seus pais tornou-se o catalisador de uma transformação radical: em vez de buscar alianças matrimoniais que preservassem seu poder político, Martinha decidiu distribuir toda a sua herança entre os pobres e dedicar-se inteiramente ao serviço da Igreja como diaconisa.

Sua fama de caridade e sua recusa em participar dos cultos imperiais logo atraíram a atenção das autoridades. Martinha foi presa e levada ao templo de Apolo para oferecer sacrifícios. O relato de seu martírio é marcado por manifestações sobrenaturais que lembram a força de Elias desafiando os profetas de Baal. Diz a tradição que, ao se recusar a adorar o ídolo e elevar sua oração ao verdadeiro Deus, um terremoto abalou o templo, destruindo a estátua de Apolo e parte da estrutura. O mesmo teria ocorrido posteriormente no templo de Diana, onde o fogo do céu teria consumido o ídolo.

Irritado com a resistência da jovem, o imperador submeteu-a a suplícios atrozes: foi açoitada, torturada com ganchos de ferro e lançada às feras no anfiteatro. No entanto, o leão que deveria devorá-la limitou-se a deitar-se a seus pés e lamber suas feridas, num gesto de reconhecimento da santidade que as feras às vezes demonstram e os homens ignoram. Por fim, após sobreviver a uma fogueira que não a queimou, Martinha foi decapitada por volta do ano 226 d.C. Sua devoção, que havia caído no esquecimento, foi revigorada de forma esplêndida em 1634, quando o artista e arquiteto Pietro da Cortona redescobriu suas relíquias na antiga igreja próxima ao Fórum Romano, levando o Papa Urbano VIII a proclamá-la uma das padroeiras da cidade de Roma.

Meditação

Santa Martinha nos ensina sobre a coragem de derrubar ídolos. No seu tempo, os ídolos eram estátuas de pedra; no nosso, eles são muito mais sutis: o poder, o consumo, a imagem e o ego. A oração de Martinha não apenas quebrou a estátua de Apolo, mas quebrou a lógica do mundo que exigia dela uma lealdade que pertencia apenas a Deus. Ela nos convida a perguntar: "Quais são os ídolos que ocupam o altar do meu coração e que precisam cair para que Cristo reine?".

Sua vida como diaconisa revela o valor da nobreza posta a serviço. Martinha não usou sua linhagem como um escudo de privilégios, mas como uma plataforma de entrega. Ela entendeu que o verdadeiro "consulado" cristão é o serviço aos mais pobres. Ela nos desafia a olhar para os nossos próprios privilégios — sejam financeiros, intelectuais ou sociais — e transformá-los em "moeda de caridade". Ser nobre, para Martinha, era ser capaz de se inclinar diante de quem não tinha nada.

Por fim, o episódio do leão que lhe lambe os pés nos fala sobre a paz que a santidade irradia. Quem está em paz com Deus está em harmonia com a criação. Martinha não lutou contra as feras; ela simplesmente "era" uma presença de luz que desarmou o instinto de violência. Meditar sobre Santa Martinha é pedir a graça de uma fé tão sólida que nem o fogo das provações, nem as feras da incompreensão humana possam nos abalar. Ela é a prova de que, quando o espírito está firme, o corpo torna-se um testemunho da glória divina.

Oração

Ó Deus, que concedestes à vossa mártir Santa Martinha a força para vencer as seduções do mundo e a coragem para enfrentar os suplícios por amor ao vosso nome, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de permanecermos fiéis à nossa vocação cristã. Que a sua proteção nos livre de todas as idolatrias modernas e que o seu exemplo de caridade nos ajude a ver e a servir a Cristo nos nossos irmãos mais necessitados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.