Santa Escolástica
Terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Resumo do dia
No dia 10 de fevereiro, a Igreja celebra Santa Escolástica, uma mulher cujo silêncio monástico ecoa há mais de 15 séculos como um testemunho de que o amor, no fim das contas, é a regra suprema de qualquer vida santa. Nascida em Núrsia, por volta do ano 480, Escolástica era irmã gêmea de São Bento, o pai do monaquismo ocidental. Se Bento é o "mestre da Regra", Escolástica é a "mestra do Coração".
Desde cedo, Escolástica consagrou-se a Deus, seguindo os passos do irmão. Enquanto Bento fundava o grande mosteiro de Monte Cassino, ela estabeleceu-se em Piumarola, a poucos quilômetros de distância, onde dirigiu uma comunidade de virgens consagradas sob a mesma orientação espiritual. A relação entre os dois irmãos era de uma profundidade espiritual rara: encontravam-se apenas uma vez por ano numa pequena casa situada nos limites das terras monásticas para passar o dia em "santos colóquios", louvando a Deus e partilhando as experiências da alma.
O episódio mais famoso de sua vida — e talvez um dos mais belos de toda a hagiografia cristã — ocorreu no último desses encontros, narrado por São Gregório Magno em seus Diálogos. Ao cair da tarde, Bento, rigoroso cumpridor da sua própria Regra que proibia os monges de pernoitarem fora do mosteiro, preparava-se para partir. Escolástica, pressentindo que sua morte estava próxima, suplicou-lhe: "Peço-te que não me deixes esta noite, para que possamos falar até amanhã das alegrias da vida celeste". Diante da recusa obstinada do irmão, Escolástica inclinou a cabeça sobre as mãos e rezou intensamente.
Imediatamente, o céu límpido escureceu e desabou uma tempestade tão violenta que Bento e seus monges não puderam dar um passo fora da casa. "Que fizeste, irmã?", perguntou Bento, perplexo. E ela respondeu com uma simplicidade desarmante: "Pedi a ti e não me ouviste; pedi ao meu Deus e Ele me ouviu". Eles passaram a noite em vigília, conversando sobre a eternidade. Três dias depois, em sua cela, Bento teve uma visão: viu a alma de sua irmã subir ao céu na forma de uma pomba branca. Ele mandou buscar o corpo da irmã e o depositou no túmulo que havia preparado para si, para que, "assim como suas almas estiveram sempre unidas em Deus, seus corpos não fossem separados pela sepultura".
Meditação
Santa Escolástica nos ensina que a caridade é a plenitude da Lei. São Bento era o homem da disciplina, da ordem e da regra rigorosa. Escolástica, por outro lado, representava a força da oração que nasce do afeto puro. São Gregório Magno resume perfeitamente o ocorrido na tempestade: "Ipsa plus potuit, quae amplius amavit" (Ela pôde mais porque amou mais).
Muitas vezes, corremos o risco de transformar nossa vida cristã em um conjunto de regras frias, esquecendo-nos de que o objetivo de toda regra é o Amor. Escolástica não quebrou a regra de seu irmão por rebeldia, mas por uma "necessidade de alma" que Deus validou com um milagre. Ela nos lembra que Deus não é um burocrata celeste atento apenas ao cumprimento de horários, mas um Pai que inclina o ouvido para o desejo sincero de Seus filhos.
A imagem da pomba branca nos convida à pureza de intenção. Viver no claustro ou no meio do mundo exige o mesmo foco: ter o coração tão leve que, na hora da partida, ele possa voar livremente para Deus. Escolástica nos convida a cultivar amizades santas — como a que ela tinha com Bento — onde o centro de tudo não é o ego de cada um, mas a sede mútua da Vida Eterna.
Oração
“Santa Escolástica, pelo mistério da comunhão dos santos, ouso lhe pedir a graça de silenciar e não procurar conversas que não me levem para as ‘coisas do Alto’. Peço-te a graça de, no ambiente onde eu vivo e trabalho, ser um instrumento da paz, como também amar os meus irmãos como você amou São Bento, seu irmão gêmeo. Amém.”
Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal