Sete Santos Fundadores dos Servitas
Terça-feira, 17 de fevereiro de 2026
Resumo do dia
A história dos Sete Santos Fundadores é um dos episódios mais singulares e belos da Idade Média, pois não celebra a santidade isolada de um indivíduo, mas a santidade comunitária de um grupo de amigos. No ano de 1233, a cidade de Florença, na Itália, era um centro de riqueza fulgurante, mas também um caldeirão de ódios políticos e divisões sangrentas entre as facções dos Guelfos e Gibelinos. No meio deste cenário, sete comerciantes influentes e piedosos — Bonfilio Monaldi, Bonajunta Manetti, Maneto dell'Antella, Amadeu de Amidei, Ugoccio de Lippi, Sostene de Sosteni e Aléssio Falconieri — faziam parte de uma confraternidade dedicada a louvar a Virgem Maria.
Na festa da Assunção daquele ano, enquanto rezavam juntos, os sete tiveram uma visão comum da Mãe de Deus, que os convidava a abandonar o mundo e a dedicar-se inteiramente ao seu serviço e ao de seu Filho. Atendendo ao chamado, eles deixaram para trás suas famílias (com as devidas provisões), seus negócios e suas posições sociais. Inicialmente, retiraram-se para uma casa simples nos arredores de Florença, mas, buscando um silêncio ainda mais profundo para fugir da curiosidade do povo que os via como "os sete loucos de Deus", subiram o Monte Senario.
Ali, vivendo em grutas e celas austeras, deram origem à Ordem dos Servos de Maria (Servitas). A pedido do bispo de Florença, e após uma nova visão em que Maria lhes mostrava um hábito preto (em memória das suas dores) e a Regra de Santo Agostinho, eles organizaram a nova Ordem. O carisma dos Servitas nasceu marcado por duas características fundamentais: a fraternidade absoluta e a devoção a Nossa Senhora das Dores. Dos sete, seis foram ordenados sacerdotes por obediência; o sétimo, Aléssio Falconieri, por uma humildade invencível, insistiu em permanecer como irmão leigo, vivendo até os 110 anos para ver a Ordem ser aprovada e espalhar-se por toda a Europa. Em 1888, o Papa Leão XIII realizou um ato sem precedentes na história da Igreja: canonizou os sete amigos juntos, numa mesma cerimônia, reconhecendo que eles eram "um só coração e uma só alma".
Meditação
Os Sete Santos Fundadores nos ensinam sobre o poder transformador da amizade cristã. Frequentemente pensamos na santidade como um troféu individual, mas este grupo de Florença nos mostra que os amigos podem e devem ser "escadas" uns para os outros rumo ao Céu. Em um mundo que incentiva a competição e o individualismo, os Servitas nos recordam que a vida comunitária, baseada no apoio mútuo e na oração comum, é um dos caminhos mais seguros para vencer as tentações do egoísmo. Eles não foram santos "apesar" de serem sete; foram santos "porque" eram sete, unidos em um único propósito.
Sua retirada para o Monte Senario nos convida a refletir sobre o valor do desapego. Eles eram homens de sucesso, no ápice de suas carreiras mercantis em uma das cidades mais ricas do mundo. Contudo, perceberam que o "ter" estava sufocando o "ser". Ao deixarem as sedas de Florença pelo burel do deserto, eles nos desafiam a perguntar: "O que em minha vida está sobrando e impedindo que eu escute a voz de Deus?". O deserto dos Servitas não foi um lugar de amargura, mas o jardim onde eles encontraram a verdadeira alegria que o comércio de Florença não podia lhes vender.
Por fim, a devoção dos fundadores a Nossa Senhora das Dores nos oferece um olhar profundo sobre o sofrimento humano. Eles escolheram estar aos pés da Cruz com Maria. Isso nos ensina que a resposta cristã para a dor do mundo não é a fuga, mas a presença compassiva. Ser um "Servo de Maria" significa carregar as dores do próximo com a mesma ternura com que a Virgem acolheu o corpo de Jesus. Meditar sobre os Sete Santos é pedir a graça de amigos verdadeiros que nos ajudem a permanecer fiéis sob a Cruz, transformando o nosso sofrimento em um serviço de amor.
Oração
Ó Deus, que para renovar na vossa Igreja o espírito de caridade e de união, suscitastes os Sete Santos Fundadores como modelos de vida comum e de terna devoção à vossa Mãe dolorosa, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de vivermos unidos no vosso amor e de servirmos com fidelidade à vossa vontade, consolando os nossos irmãos em suas aflições. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal