Nossa Senhora de Lourdes
Quinta-feira, 11 de fevereiro de 2027
Resumo do dia
A celebração de Nossa Senhora de Lourdes remete-nos a um dos capítulos mais luminosos da história da Igreja no século XIX, ocorrido numa pequena e obscura cidade aos pés dos Pirenéus, na França. Em 1858, apenas quatro anos após o Papa Pio IX ter proclamado o Dogma da Imaculada Conceição, a própria Virgem Maria veio confirmar a verdade de fé definida pela Igreja, escolhendo como sua mensageira uma menina de 14 anos, pobre, doente e analfabeta: Bernadette Soubirous.
O cenário das dezoito aparições não foi um palácio ou uma catedral, mas a gruta de Massabielle, um lugar que os habitantes de Lourdes chamavam de "toca de porcos", por ser úmido, sujo e frequentado por animais. Ali, no dia 11 de fevereiro de 1858, enquanto Bernadette buscava lenha seca para aquecer a casa miserável onde vivia com sua família — o antigo cárcere da cidade, conhecido como Cachot — ela viu "uma senhora vestida de branco, com um cinto azul e uma rosa amarela em cada pé".
A Senhora de Lourdes não trouxe uma mensagem complexa ou novas doutrinas, mas um apelo urgente e maternal à conversão e à penitência. Ela pediu oração pelos pecadores e solicitou que se construísse ali uma capela e se fizessem procissões. Em uma das aparições mais marcantes, a Senhora pediu que Bernadette escavasse o chão com as mãos; da lama seca, brotou uma fonte de água que corre até hoje e que se tornou o canal de inúmeras curas físicas e espirituais para milhões de peregrinos.
O auge das aparições ocorreu em 25 de março, festa da Anunciação. Quando Bernadette perguntou o nome da Senhora pela quarta vez, ela, em seu dialeto local (o gascão), respondeu: "Que soy era Immaculada Concepciou" (Eu sou a Imaculada Conceição). Bernadette, que nunca ouvira falar do dogma recém-proclamado, guardou a frase na memória e a repetiu incessantemente ao pároco da cidade, que finalmente se convenceu da veracidade das visões. Lourdes tornou-se, desde então, a "capital da oração e do sofrimento", onde o mundo aprende que a dignidade humana não reside na saúde ou na riqueza, mas no olhar amoroso de Deus sobre a fragilidade humana.
Meditação
Lourdes nos ensina a teologia da pequenez. Deus parece ter uma predileção divina pelo que o mundo despreza: escolheu uma gruta suja para manifestar Sua glória e uma menina que não sabia ler para ser a teóloga da Imaculada Conceição. Bernadette era a "pedra descartada" pelos construtores sociais da época, mas foi sobre sua fidelidade que o Senhor ergueu um dos maiores centros de fé da humanidade.
A água de Lourdes não é mágica, mas é um sinal sacramental que nos recorda o nosso Batismo. Ao nos lavarmos ou bebermos dessa água, somos convidados a lavar o coração das impurezas do egoísmo e da falta de esperança. Maria, em Lourdes, apresenta-se como a Saúde dos Enfermos, mas o maior milagre que ela opera na Gruta de Massabielle não é necessariamente a cura de um câncer ou de uma paralisia, mas a cura do desespero. Ali, os doentes não são escondidos; eles são o centro das atenções, lembrando-nos que o sofrimento, quando unido à Cruz de Cristo, tem um valor redentor.
Maria não prometeu a Bernadette a felicidade neste mundo, mas no próximo. Com isso, ela nos ensina a olhar para além das nossas dores imediatas, encontrando no "sorriso de Maria" a força para carregar as cruzes de cada dia com serenidade e fé.
Oração
Ó Deus de misericórdia, vinde em socorro da nossa fraqueza e concedei que, celebrando a memória da Imaculada Mãe de Deus, sejamos por sua intercessão libertos de nossas iniquidades. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.
(Oração Coleta da Memória de Nossa Senhora de Lourdes — Missal Romano)
Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal