São Conrado de Piacenza
Sexta-feira, 19 de fevereiro de 2027
Resumo do dia
A trajetória de São Conrado de Piacenza é uma das mais singulares lições sobre como um erro grave, quando assumido com honestidade e espírito de reparação, pode se tornar a porta de entrada para uma santidade altíssima. Nascido em uma ilustre família nobre de Piacenza (Itália) em 1290, Conrado levava a vida típica de um aristocrata da época, dedicada aos prazeres sociais e à caça.
O ponto de virada em sua vida ocorreu de forma dramática durante uma dessas caçadas. Para forçar a saída de algumas presas escondidas no matagal, Conrado ordenou que se ateasse fogo na vegetação. No entanto, o vento mudou e as chamas saíram de controle, devastando florestas vizinhas e plantações de camponeses. Com medo das consequências e do prejuízo imenso, Conrado fugiu em silêncio para a cidade. Um pobre homem, encontrado perto do local do incêndio, foi acusado injustamente, torturado e condenado à morte.
Ao ver o inocente sendo levado ao patíbulo, a consciência de Conrado despertou. Ele não suportou o peso da injustiça: apresentou-se ao governador, confessou o crime e ofereceu toda a sua fortuna para indenizar os danos. De um dia para o outro, o nobre rico tornou-se um homem pobre. Ele e sua esposa, Eufrosina, viram naquele evento um chamado de Deus. Ela ingressou em um convento de Clarissas e ele tornou-se um peregrino, ingressando na Ordem Terceira de São Francisco. Conrado retirou-se para a Sicília, na cidade de Noto, onde viveu 30 anos como eremita em oração, penitência e silêncio. Faleceu em 1351, de joelhos diante de um crucifixo, cercado por uma fama de santidade que o tornou o padroeiro de Noto.
Meditação
São Conrado de Piacenza nos ensina sobre a coragem da integridade. É fácil ser "bonzinho" quando tudo corre bem, mas a verdadeira estatura de um homem se revela quando ele comete um erro e precisa decidir entre o conforto da mentira e o sacrifício da verdade. Conrado poderia ter ficado calado e mantido sua riqueza, mas escolheu a "pobreza com honra". Ele nos desafia a perguntar: "Tenho tido a coragem de assumir as consequências dos meus atos, ou procuro bodes expiatórios para as minhas falhas?".
Sua vida nos mostra que Deus escreve direito por linhas que nós mesmos entortamos. O incêndio, que foi um acidente provocado pela imprudência, tornou-se o fogo purificador que destruiu o homem mundano e fez nascer o santo. Isso nos ensina que nenhuma queda é definitiva se houver o desejo de reparação. Conrado não se limitou a pedir perdão; ele "pagou a conta". Ele nos recorda que o arrependimento cristão exige, sempre que possível, um gesto concreto de justiça para com o próximo.
Por fim, ele é o modelo da paz encontrada no despojamento. Ao perder seus bens materiais para salvar um inocente, Conrado descobriu uma liberdade que o palácio nunca lhe deu. No silêncio da gruta na Sicília, ele entendeu que "quem tem a Deus, nada lhe falta". Meditar sobre sua vida é pedir a graça de não termos medo das perdas que a verdade nos impõe, pois o que se perde em "moedas" da terra, ganha-se em "tesouros" do Céu.
Oração
Ó Deus, que pela humildade e pela penitência de São Conrado de Piacenza nos mostrastes o caminho da verdadeira justiça, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de sermos sempre honestos em nossas palavras e atos. Dai-nos a coragem de assumir nossas responsabilidades e a força para reparar o mal que porventura tenhamos causado aos nossos irmãos. Que o fogo do vosso amor purifique os nossos corações de todo egoísmo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.