Meditação Diária | Quarta-feira de Cinzas - #01
Resumo
Descrição
Irmãos e irmãs, sejam muito bem-vindos. É uma alegria imensa ter cada um de vocês aqui. Hoje nós damos o primeiro passo do nosso caminho quaresmal — um caminho simples, mas profundo. Um tempo favorável, preparado por Deus para um encontro verdadeiro com Ele. E talvez você chegue aqui cansado, distraído, talvez com o coração ferido, mas chegou — e isso já é graça. Durante esses dias nós vamos caminhar juntos, com calma e sem pressa, deixando que Deus fale sobretudo ao nosso coração no meio da nossa vida real. Por isso, abre o coração, escute o áudio em silêncio e permita que o Senhor conduza este tempo com Ele. Que esta Quaresma seja para mim e para você uma oportunidade de recomeçar, uma volta para casa. Um passo seguro rumo à Páscoa. Comecemos, então, traçando sobre nós o sinal da cruz. Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Amém.
"Lembra-te que tu és pó e, ao pó, voltarás."
Filhinhos, essa palavra das Sagradas Escrituras é tão antiga e tão verdadeira. E hoje ela é dirigida a cada um de nós — não como uma ameaça, mas como um chamado cheio de amor. Para um instante, aquieta o teu coração. Respira. Deixa Deus falar.
A vida tem passado depressa demais, rápido demais. Os dias se sucedem, o trabalho cansa, as preocupações se acumulam — e muitos de vocês carregam no peito um peso que ninguém vê: um vazio silencioso, uma dor que não encontra palavras. E mesmo assim vocês continuam seguindo, lutando, tentando dar conta de tudo. Mas o coração sente.
E quero dizer para você: nós somos feitos para mais. Nós somos feitos para Deus. E a cinza que hoje nós recebemos na nossa cabeça é um gesto simples, um gesto humilde, quase silencioso — mas é um gesto profundamente verdadeiro. Santo Afonso Maria de Ligório nos diz que o gesto da cinza sobre a nossa cabeça nos recorda que nós somos frágeis, que nós não somos eternos neste mundo, que o corpo se cansa e que tudo aquilo que é material passa.
Os bens passam, os cargos passam, os elogios passam. A dor também passa. E só o amor permanece — porque Deus é amor. E dentro de cada um de nós existe algo que não passa: existe uma alma, existe uma sede profunda de sentido, uma saudade que eu e você temos de Deus — afinal, nós somos feitos por Ele e para Ele.
E talvez essa sede profunda e essa saudade estejam aí dentro de você, esquecidas, escondidas. Mas eu quero dizer que elas nunca estarão apagadas. Mesmo quando a sua oração enfraquece, mesmo quando o pecado pesa, mesmo quando a fé parece pequena — Deus permanece sempre fiel. Ele permanece sempre te esperando, com a paciência de um pai.
A Quaresma, portanto, é esse tempo de voltar — voltar àquilo que é essencial, voltar para casa. E não é um tempo de medo, é um tempo de verdade: de olhar a própria vida com sinceridade, de se olhar no espelho, de reconhecer o que precisa mudar e, sobretudo, o que precisa morrer para que uma vida nova possa nascer. Jejuar não é só comer menos — é libertar o coração daquilo que te prende. Rezar não é só falar bonito — é abrir o coração como ele está e silenciar. É permitir que Deus cure o que ninguém mais consegue tocar.
Hoje, eu faço um convite a você: não olhar para os erros dos outros, mas se encarar no espelho. Olhar para o próprio caminho. E a pergunta que fica é: o que precisa ser transformado na sua vida nessa Quaresma? O que você tem adiado por medo, por comodismo, por cansaço? Deus não acusa — ao contrário, Deus acolhe. Deus chama cada um pelo nome.
Lembre-se, filhinhos: somos pó. Mas um pó amado, querido, chamado à conversão e, sobretudo, chamado à vida nova. A Quaresma, portanto, não termina na cinza — ela caminha para a ressurreição.
E assim a Páscoa começa: quando nós decidirmos dar um passo sincero de voltar para Deus. E hoje, como gesto concreto, eu convido você a fazer algo simples: reservar alguns minutos do dia para o silêncio. Desliga o celular, faz o sinal da cruz com calma e diz apenas isso:
"Meu Senhor e meu Deus, eu preciso de Ti."
Depois, realiza um pequeno gesto de amor — uma palavra de perdão, uma atitude de paciência, uma ajuda sincera. E que esse gesto simples seja semente de uma vida nova que começa hoje.
18 de fevereiro de 2026 — o dia em que eu decidi voltar para casa.
Santo Afonso Maria de Ligório, rogai por nós.