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Santo do Dia

Terça-feira, 20 de janeiro de 2026

São Sebastião
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São Sebastião

Terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Resumo do dia

Sebastião nasceu por volta do ano 256, segundo a tradição mais difundida, na cidade de Narbona, na Gália (atual sul da França), embora tenha sido criado em Milão, na Itália setentrional, onde sua família se estabeleceu. Outras fontes antigas indicam Milão como sua cidade natal. De qualquer forma, foi na grande metrópole do norte da Itália — então uma das cidades mais importantes do Império Romano, que viria a se tornar residência imperial — que Sebastião cresceu, foi educado e formou o caráter que faria dele um dos mártires mais célebres e venerados de toda a história cristã.

Sua família era de posição social elevada, provavelmente ligada à classe equestre ou à nobreza provincial. Sebastião recebeu formação esmerada, tanto nas letras quanto nas armas, como era próprio dos jovens de sua condição. Era cristão — alguns relatos indicam que desde o nascimento, batizado por seus pais; outros sugerem uma conversão na juventude, sob a influência da comunidade cristã de Milão. O que é certo é que, ao atingir a idade adulta, Sebastião já era um homem de fé profunda e inabalável, que havia tomado a decisão de servir a Cristo com todas as consequências que isso pudesse implicar — numa época em que ser cristão podia custar a vida.

O que torna a história de Sebastião singular entre os mártires é a sua escolha deliberada de ingressar no exército romano — não por ambição militar ou sede de glória, mas como estratégia apostólica. Sebastião compreendia que, dentro das fileiras do exército imperial, teria acesso a lugares e pessoas que nenhum pregador civil conseguiria alcançar: as prisões onde os cristãos eram encarcerados, os tribunais onde eram julgados, os quartéis onde soldados e oficiais podiam ser evangelizados. Vestiu a armadura de Roma para melhor servir ao Rei dos céus. Era, nas palavras de Santo Ambrósio — que o venerava especialmente como glória da Igreja de Milão —, um soldado de Cristo disfarçado de soldado de César.

Sebastião distinguiu-se rapidamente nas fileiras militares. Sua coragem, disciplina, inteligência e nobreza de caráter chamaram a atenção dos superiores. Ascendeu na hierarquia até alcançar o prestigioso posto de capitão da primeira coorte da Guarda Pretoriana — a tropa de elite encarregada da proteção pessoal do imperador. Era uma das posições de maior confiança e proximidade com o poder supremo do Império. Os imperadores Diocleciano e Maximiano, que governavam conjuntamente o Império no sistema da Tetrarquia, estimavam-no pessoalmente, ignorando completamente a sua fé cristã. Sebastião tinha acesso irrestrito ao palácio imperial, aos círculos de poder e às mais altas esferas da administração romana.

Longe de se acomodar nos privilégios de sua posição, Sebastião utilizou cada parcela de sua influência para proteger e fortalecer a Igreja perseguida. Sua atividade apostólica clandestina era vasta e arriscada. Visitava os cristãos encarcerados, levando-lhes alimento, remédio, palavras de conforto e, sobretudo, a coragem para perseverar na fé diante do martírio iminente. Sua presença nas prisões era decisiva: muitos cristãos, aterrorizados pela perspectiva da tortura e da morte, vacilavam e consideravam apostatar para salvar a vida. Sebastião os fortalecia com sua palavra ardente e com o exemplo de sua própria fé — ele, que arriscava tudo a cada visita à prisão, pois se fosse descoberto, sua punição seria infinitamente pior do que a de um cristão comum, dado o nível de confiança que o imperador nele depositava.

As fontes hagiográficas, especialmente os Acta Sancti Sebastiani — um texto detalhado, provavelmente composto no século V, atribuído por algum tempo a Santo Ambrósio, embora a autoria seja incerta —, narram múltiplos episódios de sua atuação missionária. Entre os mais notáveis está a história dos irmãos gêmeos Marco e Marceliano, jovens cristãos de família nobre que haviam sido presos e condenados à morte. Seus pais, Tranquilino e Márcia, embora também cristãos, estavam desesperados e imploraram aos filhos que oferecessem sacrifício aos deuses para salvar suas vidas. Os jovens, abalados pelo sofrimento dos pais, começaram a vacilar. Sebastião visitou-os na prisão e pronunciou um discurso tão inflamado sobre a glória do martírio, a vaidade dos bens terrenos e a eternidade da recompensa celestial que não apenas Marco e Marceliano recobraram a coragem — mas seus próprios pais se converteram mais profundamente, e o carcereiro Nicóstrato, junto com sua esposa Zoé (que era muda e foi miraculosamente curada por Sebastião), também abraçou a fé. A partir de Nicóstrato, a conversão se espalhou como fogo: o carcereiro-chefe Cláudio, os prisioneiros sob sua guarda e dezesseis condenados foram todos batizados. O prefeito de Roma, Cromácio, que investigava os acontecimentos, acabou ele próprio convertido e libertou os presos, renunciando ao cargo público para não ter de perseguir cristãos.

A cadeia de conversões atribuída à influência de Sebastião é impressionante e ilustra o alcance de seu apostolado: soldados, oficiais, nobres, funcionários imperiais, carcereiros, prisioneiros — pessoas de todas as condições sociais foram tocadas pela sua palavra e pelo seu testemunho. Sebastião era, de fato, um missionário operando no coração do poder que perseguia a Igreja — uma espécie de agente duplo da fé, que usava a confiança do Império para minar, por dentro, a perseguição.

Mas nenhum segredo dura para sempre. Em algum momento — provavelmente por volta de 286 —, Sebastião foi denunciado ao imperador Diocleciano. As fontes não são claras sobre quem o traiu — possivelmente um soldado descontente, possivelmente um dos muitos informantes que infestavam a corte imperial. Diocleciano, ao descobrir que o capitão de sua guarda pessoal era cristão, sentiu-se profundamente traído. O homem a quem confiara sua própria segurança servia secretamente ao Deus que Roma perseguia. A reação do imperador foi de fúria pessoal, não apenas política. Segundo a tradição, Diocleciano repreendeu Sebastião face a face, acusando-o de ingratidão e traição. Sebastião, porém, respondeu com firmeza que sempre havia servido fielmente ao imperador, mas que servia primeiro a Deus — e que suas orações pela saúde do Império e do próprio imperador eram mais valiosas do que qualquer guarda armada.

Diocleciano condenou Sebastião à morte. A sentença foi executada de forma que se tornou uma das imagens mais icônicas da arte ocidental: Sebastião foi levado ao campo de Marte (ou, segundo outras tradições, ao Palatino), despojado de suas vestes, amarrado a um tronco ou coluna e entregue a um pelotão de arqueiros mouros — soldados da Mauritânia, províncias do norte da África, conhecidos pela precisão mortal de suas flechas. Os arqueiros dispararam até que o corpo de Sebastião estivesse cravejado de flechas "como um ouriço", nas palavras das atas. Dado como morto, foi abandonado no local.

Mas Sebastião não morreu.

Uma piedosa cristã romana chamada Santa Irene (ou Irina), viúva do mártir São Castulo, foi ao local durante a noite para recolher o corpo e dar-lhe sepultura digna. Ao aproximar-se, descobriu que Sebastião ainda vivia — gravemente ferido, coberto de sangue, mas respirando. Irene levou-o secretamente para sua casa e cuidou de suas feridas com dedicação extraordinária. Ao longo de semanas, Sebastião foi lentamente se recuperando, num processo que os cristãos de Roma interpretaram como miraculoso.

O que aconteceu em seguida é talvez o aspecto mais surpreendente e heroico de toda a história de Sebastião. Qualquer homem razoável, tendo escapado milagrosamente da morte, teria fugido de Roma, escondido-se nas províncias, buscado refúgio entre as comunidades cristãs distantes. Sebastião não fez nada disso. Assim que se recuperou o suficiente para ficar de pé, tomou uma decisão que só pode ser explicada pela audácia sobrenatural da fé: apresentou-se diante do imperador Diocleciano novamente.

As fontes narram que Sebastião esperou Diocleciano numa escadaria do palácio imperial e, quando o imperador passava, dirigiu-lhe a palavra em voz alta, censurando-o pela crueldade da perseguição contra os cristãos, pela injustiça de condenar inocentes e pela cegueira de perseguir os que mais rezavam pelo bem do Império. Diocleciano, estupefato ao ver diante de si o homem que julgava morto, ficou momentaneamente paralisado — como se visse um fantasma. Mas o espanto logo deu lugar à fúria redoblada. Desta vez, não haveria flechas nem chances de sobrevivência.

Diocleciano ordenou que Sebastião fosse espancado até a morte com clavas (fustuarium — o castigo mais brutal do exército romano, normalmente reservado a desertores). Os soldados executaram a sentença com ferocidade. O corpo de Sebastião foi depois lançado na Cloaca Máxima — o grande esgoto de Roma que desaguava no rio Tibre —, para que os cristãos não pudessem recuperá-lo e venerá-lo como relíquia.

Mas, mais uma vez, a Providência frustrou os planos dos perseguidores. Sebastião apareceu em sonho a uma cristã romana chamada Lucina, indicando-lhe o local exato onde seu corpo poderia ser encontrado e pedindo-lhe que o resgatasse e sepultasse nas catacumbas da Via Ápia, junto ao local que seria futuramente conhecido como a Basílica de São Sebastião Fora dos Muros (San Sebastiano fuori le mura) — uma das sete igrejas de peregrinação de Roma. Lucina encontrou o corpo exatamente onde o santo indicara e o sepultou com reverência. O local tornou-se imediatamente centro de veneração, e ali se desenvolveu uma das catacumbas mais importantes de Roma, que conserva até hoje o nome de Catacumba de São Sebastião — a única catacumba romana que nunca foi esquecida ao longo dos séculos e que, de fato, deu origem à própria palavra "catacumba" (do grego kata kymben, "junto à cavidade"), que era originalmente o nome daquele lugar específico e depois passou a designar todos os cemitérios subterrâneos cristãos.

A data do martírio definitivo de Sebastião é tradicionalmente fixada em 20 de janeiro de 288, embora alguns estudiosos situem o evento alguns anos antes ou depois. A perseguição de Diocleciano, em sua fase mais sistemática, eclodiu com o grande edito de 303, mas atos isolados de perseguição contra cristãos proeminentes ocorreram durante toda a Tetrarquia.

A veneração de São Sebastião difundiu-se com extraordinária rapidez. Já no século IV, era um dos mártires mais populares de Roma. Santo Ambrósio de Milão (339–397), em seu comentário ao Salmo 118, dedicou-lhe palavras que fixaram para sempre a imagem de Sebastião na memória da Igreja. Ambrósio exaltou a dupla coroa de seu martírio — as flechas e as clavas — e sobretudo a sua decisão de voltar diante do imperador após a primeira execução, interpretando-a como um ato de caridade suprema: Sebastião não voltou por temeridade ou desejo de morte, mas porque não podia calar-se diante da injustiça enquanto seus irmãos continuavam a morrer.

A Basílica de São Sebastião Fora dos Muros, erguida sobre o local de sua sepultura na Via Ápia, é uma das igrejas mais antigas de Roma. A tradição afirma que, durante a perseguição de Valeriano (258), as relíquias dos apóstolos São Pedro e São Paulo foram temporariamente transferidas para este local, para protegê-las da profanação. A basílica conserva, além do túmulo de Sebastião, a cripta com uma das flechas que teriam trespassado o mártir e numerosos vestígios paleocristãos. É uma das sete igrejas do percurso jubiliar instituído por São Filipe Néri no século XVI.

Na iconografia, São Sebastião é uma das figuras mais representadas da arte ocidental — e também uma das mais esteticamente influentes. A imagem clássica — o jovem de corpo atlético, amarrado a uma coluna ou árvore, trespassado por flechas, com o olhar elevado ao céu numa expressão que mescla sofrimento e êxtase — tornou-se um dos temas mais recorrentes da pintura, escultura e gravura desde a Idade Média até a contemporaneidade. Grandes mestres da arte dedicaram-lhe obras-primas: Andrea Mantegna pintou-o duas vezes, em composições de beleza austera e monumental; Il Sodoma (Giovanni Antonio Bazzi) criou uma versão de extraordinária intensidade emocional; Pietro Perugino, El Greco, Guido Reni, Peter Paul Rubens, Georges de La Tour e inúmeros outros o representaram, cada qual segundo a sensibilidade de sua época. A figura de Sebastião tornou-se, na história da arte, um dos grandes veículos para a representação simultânea do sofrimento humano e da transcendência espiritual — o corpo ferido que, paradoxalmente, irradia beleza e paz.

É importante notar que a iconografia consagrada — Sebastião cravejado de flechas — representa apenas o primeiro martírio, aquele do qual sobreviveu. A arte raramente retrata o segundo e definitivo martírio, o espancamento com clavas, talvez porque este seja mais brutal e menos "estetizável", ou talvez porque a imagem das flechas alcançou tal força simbólica que se tornou insubstituível no imaginário cristão.

São Sebastião tornou-se, ao longo dos séculos, um dos santos de devoção mais universal e diversificada. É invocado como padroeiro contra as pestes e epidemias — associação que remonta à Antiguidade tardia e à Idade Média, quando a imagem das flechas que trespassavam seu corpo foi simbolicamente ligada às flechas da pestilência que, na tradição bíblica e clássica, representavam as epidemias enviadas pela ira divina (cf. o Salmo 90: "Não temerás a flecha que voa de dia nem a peste que caminha nas trevas"). Durante a grande peste de 680 em Roma, a epidemia cessou após a trasladação solene de relíquias de São Sebastião para uma igreja na ilha Tiberina — episódio que consolidou definitivamente sua fama como protetor contra a peste. Durante a Peste Negra do século XIV, que dizimou um terço da Europa, a devoção a Sebastião explodiu em todo o continente, multiplicando-se igrejas, confrarias e ex-votos em sua honra.

É também padroeiro dos soldados, dos arqueiros, dos atletas e dos policiais. Na tradição popular brasileira, São Sebastião é padroeiro da cidade do Rio de Janeiro, que recebeu seu nome em 1º de março de 1565, quando Estácio de Sá fundou a cidade no dia dedicado ao santo (na época, a festa de São Sebastião era celebrada em 20 de janeiro, mesmo dia em que a tradição fixava a fundação original do núcleo urbano). A devoção a São Sebastião no Brasil é profundamente enraizada, e sua festa é celebrada com grande fervor em todo o país, especialmente no Rio de Janeiro, onde é feriado municipal e onde a Catedral Metropolitana — embora o edifício moderno de Oscar Niemeyer não leve oficialmente o nome — está sob sua invocação (a Arquidiocese é a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro).

Em Portugal, São Sebastião é igualmente venerado como protetor contra as epidemias, com inúmeras igrejas e capelas dedicadas a ele em todo o território. Em toda a Europa meridional — Itália, Espanha, França, Portugal — as confrarias de São Sebastião foram, durante séculos, das mais numerosas e ativas, dedicando-se não apenas à devoção, mas à assistência aos doentes em tempos de peste.

Meditação

São Sebastião nos confronta com uma pergunta incômoda: até onde estamos dispostos a ir pela fé? Não uma vez, mas duas. Porque o que torna Sebastião verdadeiramente extraordinário não é o primeiro martírio — por mais dramático que tenha sido — mas o segundo. Qualquer ser humano que sobrevivesse milagrosamente a uma execução teria razões mais do que suficientes para se esconder, fugir, desaparecer. Ninguém o culparia. Já havia dado seu testemunho, já havia derramado seu sangue, já havia provado sua fidelidade. Poderia viver o resto de seus dias em paz, sabendo que fizera mais do que o suficiente.

Mas Sebastião não mediu a fé pelo suficiente. Voltou. Voltou ao mesmo lugar, diante do mesmo imperador, sabendo exatamente o que o esperava. E voltou não por imprudência, não por fanatismo, não por desejo de morte — voltou porque havia irmãos ainda presos, ainda morrendo, ainda sofrendo. Voltou porque a verdade não podia ser calada enquanto a injustiça continuasse. Voltou porque a fé não é um sentimento que se guarda — é uma chama que se partilha, mesmo quando queima.

O primeiro martírio de Sebastião — as flechas — é o que o mundo lembra. É o que a arte consagrou, o que as igrejas pintaram, o que a devoção popular celebra. Mas o segundo martírio — as clavas, o esgoto, o anonimato — é o que revela a profundidade real de sua alma. O primeiro foi belo; o segundo foi brutal. O primeiro teve testemunhas; o segundo, quase nenhuma. O primeiro foi sobrevivido; o segundo, consumado. É fácil ser mártir quando há uma plateia. Sebastião foi mártir pela segunda vez no silêncio, na brutalidade sem estética, no esgoto de Roma.

Que o seu exemplo nos ensine que a fé verdadeira não se mede pela intensidade de um único gesto heroico, mas pela perseverança de quem, depois de cair e levantar, depois de sangrar e ser curado, escolhe — livre e conscientemente — voltar ao combate. Não porque não tenha medo, mas porque há algo maior do que o medo. Não porque busque a morte, mas porque encontrou uma Vida pela qual vale a pena morrer.

Oração

Ó Deus todo-poderoso e eterno, que concedestes ao mártir São Sebastião a graça de vos confessar com coragem inabalável até ao derramamento do sangue, concedei-nos, por sua intercessão, a fortaleza para perseverar na fé e a caridade para servir aos nossos irmãos, mesmo quando o preço for alto. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

(Oração Coleta da Memória de São Sebastião, Mártir — Missal Romano)

Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal

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