São Brás
Terça-feira, 03 de fevereiro de 2026
Resumo do dia
A memória de São Brás, celebrada no início de fevereiro, evoca a figura de um dos santos mais populares da cristandade, cuja fama atravessou os séculos não apenas pelo seu martírio, mas pela sua intercessão poderosa contra os males do corpo e da alma. Bispo de Sebaste, na Armênia, durante o século IV, Brás viveu em um período de transição violenta, onde o Império Romano, sob o comando de Licínio, ainda tentava sufocar a Igreja através de perseguições localizadas.
Antes de ser bispo, Brás fora médico. Essa formação deixou marcas em seu ministério: ele não via apenas almas a serem convertidas, mas seres humanos integrais, que sofriam na carne e no espírito. Diz a tradição que, para fugir da perseguição, ele se retirou para uma caverna no Monte Argeu, onde viveu como eremita. Ali, os animais selvagens vinham até ele para serem curados, convivendo em harmonia com o santo, em uma antecipação do que São Francisco de Assis viveria séculos mais tarde. Brás não os temia; pelo contrário, via na natureza ferida a mesma necessidade de redenção que via nos homens.
O episódio que o imortalizou no coração do povo fiel ocorreu quando ele estava sendo levado para a prisão pelos soldados romanos. Uma mãe desesperada apresentou-lhe o filho, que estava à morte, sufocado por uma espinha de peixe atravessada na garganta. Brás, com um gesto de bênção e uma oração de profunda confiança, obteve de Deus o milagre imediato: o menino foi salvo do sufocamento. Este gesto tornou-se o selo de sua missão. Na prisão, ele ainda recebeu a visita de uma mulher a quem havia ajudado, que lhe trouxe comida e duas velas para iluminar a escuridão da masmorra — um detalhe que deu origem à tradicional bênção da garganta com as velas cruzadas. Após sofrer torturas atrozes, sendo sua carne dilacerada por pentes de ferro, São Brás foi decapitado no ano 316, selando com o sangue o testemunho de uma fé que não se cala.
Meditação
São Brás nos ensina que a comunicação e a vida passam pela garganta. É por ela que respiramos o ar de Deus e é por ela que articulamos as palavras que podem bendizer ou amaldiçoar. Quando pedimos a intercessão de São Brás contra os "males da garganta", não estamos pedindo apenas a cura de uma inflamação física, mas a purificação da nossa voz. A garganta que o santo curou foi a mesma que, momentos depois, proclamou a glória de Deus diante dos carrascos.
A vida deste santo médico nos lembra que o cuidado com o próximo deve ser concreto. Ele não se limitava a discursos teológicos; ele curava, alimentava e protegia. Sua retirada para o deserto não foi uma fuga do mundo, mas um "reabastecimento" espiritual para enfrentar o martírio. Ele nos mostra que a mansidão e a força caminham juntas: o mesmo homem que acariciava animais selvagens teve a têmpera de aço necessária para não negar a Cristo sob a tortura.
Meditar sobre São Brás é também refletir sobre a luz em meio às trevas. As velas que iluminaram sua cela em Sebaste simbolizam a fé que não se apaga diante da morte. Em um mundo onde tantas vezes nos sentimos "engasgados" com as injustiças, as angústias e o pecado, São Brás aparece como o intercessor que nos ajuda a "cuspir fora" o que nos mata por dentro, para que possamos respirar livremente o Espírito Santo.
Oração
“Ó glorioso São Brás, que restituístes com uma breve oração a perfeita saúde a um menino que, por uma espinha de peixe atravessada na garganta, estava prestes a expirar, obtende para nós todos a graça de experimentarmos a eficácia do vosso patrocínio em todos os males da garganta. Conservai a nossa garganta sã e perfeita para que possamos falar corretamente e assim proclamar e cantar os louvores a Deus. Amém”.
Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal