Santos Paulo Miki e companheiros
Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2026
Resumo do dia
A celebração de São Paulo Miki e seus vinte e cinco companheiros nos transporta para o Japão do século XVI, um cenário de florescimento cristão que foi subitamente golpeado por uma das perseguições mais sistemáticas da história. Em 1597, o Japão testemunhou o que seria o "batismo de sangue" de sua Igreja, quando um grupo diverso de católicos foi condenado à morte em Nagasaki.
O grupo era um mosaico da própria Igreja: incluía seis missionários franciscanos europeus, três jesuítas japoneses (entre eles Paulo Miki) e dezessete leigos japoneses, entre os quais havia catequistas, médicos e até três meninos de coro — o mais jovem, Luís Ibaraki, tinha apenas 12 anos. Para servir de exemplo e intimidar a população, eles foram presos em Quioto, tiveram parte de suas orelhas esquerdas cortadas e foram forçados a caminhar quase mil quilômetros sob o rigor do inverno até Nagasaki, a cidade mais cristã do país.
Longe de ser uma marcha fúnebre, o trajeto transformou-se em uma procissão de fé. Eles caminhavam cantando o Te Deum e rezando o Rosário, comovendo aqueles que os viam passar. No dia 5 de fevereiro de 1597, chegaram à colina de Nishizaka, em Nagasaki, que ficaria conhecida como a "Colina dos Mártires". Ali, vinte e seis cruzes os aguardavam. Paulo Miki, um pregador jesuíta de linhagem nobre (samurai), pregou seu último e mais potente sermão suspenso na cruz. Ele declarou sua alegria por morrer por Cristo e, num gesto de imitação perfeita do Mestre, perdoou publicamente o imperador e seus carrascos. Foram todos trespassados por lanças, selando com o sangue a semente do Evangelho que, apesar de ter passado séculos na clandestinidade no Japão, jamais se apagou.
Meditação
O testemunho de Paulo Miki e seus companheiros nos ensina sobre a universalidade da fé. Naquela colina, não havia distinção entre o frade europeu e o leigo japonês, nem entre o teólogo jesuíta e o menino de doze anos. Todos estavam unidos pela mesma "língua": a do amor sacrificial. Eles nos lembram que o Evangelho não pertence a uma cultura ou continente, mas incultura-se no coração de quem se deixa tocar pela verdade.
Um ponto central para nossa reflexão é o perdão no ápice do sofrimento. Paulo Miki não morreu com um grito de revolta ou um desejo de vingança. Ele entendeu que o seu martírio era um ato de reconciliação. Em um mundo onde somos tentados a responder à intolerância com mais ódio, os mártires do Japão nos convidam à "resistência da mansidão". Eles venceram os seus algozes não pela força, mas pela incapacidade dos carrascos de matarem a alegria que vinha de dentro deles.
A presença dos três meninos (Luís, Antônio e Tomás) no grupo de mártires é um desafio à nossa mediocridade. Eles recusaram a liberdade em troca da apostasia, provando que a maturidade espiritual não se mede pela idade cronológica, mas pela entrega total a Deus. Eles nos convidam a perguntar: "O que em minha vida é tão valioso que eu estaria disposto a caminhar mil quilômetros para não perder?".
Oração
Ó Deus, força de todos os santos, que chamastes os santos mártires Paulo Miki e seus companheiros para a vida eterna através da cruz, concedei-nos, por sua intercessão, a graça de professar com coragem, até a morte, a fé que recebemos no batismo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.
Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal