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Santo do Dia

Segunda-feira, 08 de fevereiro de 2027

Santa Josefina Bakhita
Memoria facultativa Branco Santa

Santa Josefina Bakhita

Segunda-feira, 08 de fevereiro de 2027

Resumo do dia

A história de Santa Josefina Bakhita não é apenas um relato de superação, mas uma das mais profundas epopeias de transfiguração da dor na história moderna da Igreja. Nascida por volta de 1869 na região de Darfur, no Sudão, sua infância foi despedaçada quando, aos nove anos, foi sequestrada por traficantes de escravos árabes. O trauma do sequestro e a brutalidade dos maus-tratos foram tão violentos que a menina esqueceu o próprio nome de batismo. Seus raptores, num ato de escárnio que o destino converteria em profecia, deram-lhe o nome de Bakhita, que em árabe significa "Afortunada".

Durante mais de dez anos, Bakhita foi vendida e revendida cinco vezes nos mercados de El Obeid e de Cartum. Ela conheceu a profundidade da degradação humana: foi forçada a caminhar descalça por centenas de quilômetros, açoitada por qualquer sinal de cansaço e humilhada por patrões que viam nela apenas uma mercadoria. Sua prova mais terrível foi o ritual de "tatuagem" imposto pela esposa de um general turco: 114 cortes foram feitos com lâmina em seu peito, ventre e braços; dentro das feridas sangrentas, colocava-se sal para que as cicatrizes ficassem permanentemente em relevo. Bakhita carregou em sua própria pele, literalmente, um mapa de crueldade que ela mesma descrevia com uma serenidade que desconcertava seus biógrafos.

A providência divina começou a agir através de Callisto Legnani, o cônsul italiano em Cartum, que a comprou em 1883. Pela primeira vez em anos, ninguém usava o chicote contra ela; Bakhita era tratada com uma dignidade que mal conseguia compreender. Quando o cônsul precisou retornar à Itália devido à guerra, Bakhita implorou para ir com ele. Em solo italiano, ela foi confiada à família Michieli e, posteriormente, deixada sob os cuidados das Irmãs Canossianas em Veneza, enquanto seus patrões viajavam a negócios para o Mar Vermelho.

Foi no claustro das Canossianas que Bakhita encontrou o verdadeiro "Patrão" (o Paron, como diria no dialeto veneziano). Ao contemplar o crucifixo, ela entendeu o mistério: aquele Deus também tinha marcas de cravos e feridas na pele; aquele Deus também fora humilhado e vendido. Em 1890, foi batizada e crismada, recebendo o nome de Josefina Margarida Bem-Aventurada Bakhita. Quando a família Michieli retornou para buscá-la, a ex-escrava demonstrou uma coragem inaudita: recusou-se a partir. O caso foi levado aos tribunais italianos, que declararam que, como a escravidão era ilegal e Bakhita já era maior de idade, ela era finalmente livre.

Bakhita escolheu a "escravidão de amor" a Cristo e entrou para o noviciado canossiano. Viveu os 50 anos seguintes na cidade de Schio, onde se tornou conhecida como a "Madre Moretta" (a mãezinha morena). Sua vida foi um hino à humildade: trabalhava na cozinha, na portaria e na sacristia. Sua santidade não consistia em visões extraordinárias, mas em um sorriso que nunca se apagava e em uma capacidade infinita de perdoar. Na velhice, marcada por uma doença dolorosa, ela revivia em delírios os anos de cativeiro e implorava às enfermeiras: "Por favor, afrouxem as correntes, elas pesam muito". Faleceu em 8 de fevereiro de 1947, e o povo de Schio, que já a venerava em vida, cercou seu corpo com um grito unânime: "Morreu a nossa santa".

Meditação

Santa Josefina Bakhita é a prova viva de que as feridas do passado não precisam ditar o horizonte do futuro. No mundo de hoje, onde muitas vezes nos deixamos paralisar por traumas e ressentimentos, Bakhita nos ensina a teologia do perdão radical. Ela dizia que, se encontrasse seus sequestradores, ajoelharia-se para beijar suas mãos, pois sem aquele caminho de dor, ela nunca teria encontrado o seu Único Senhor.

Sua vida nos convida a refletir sobre a identidade. Bakhita esqueceu seu nome terreno, mas descobriu que seu nome eterno estava escrito nas palmas das mãos de Deus. Ela nos mostra que a verdadeira liberdade não é apenas a ausência de correntes externas, mas a libertação interior que nos permite amar até mesmo aqueles que nos marcaram com a dor.

A "Madre Moretta" nos ensina também a santidade do ordinário. Ela não escreveu grandes tratados teológicos; ela simplesmente abria a porta do convento com tal amor que os visitantes sentiam que Deus os estava recebendo. Ela é a intercessora de todos os que sofrem novas formas de escravidão — o tráfico humano, o preconceito e a exclusão — lembrando-nos que, para Deus, nenhum ser humano é "mercadoria", mas todos são filhos "afortunados" pela Sua graça.

Oração

Ó Deus, que conduzistes Santa Josefina Bakhita da escravidão humilhante à dignidade de vossa filha e de esposa de Cristo, concedei-nos, por sua intercessão, que, seguindo o seu exemplo, amemos o Senhor Jesus crucificado com caridade invicta e nos dediquemos com generosidade ao serviço do próximo. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, Deus, por todos os séculos dos séculos. Amém.

Fonte: Importacao calendario liturgico | Universal

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